Triunfo Concebra recebe prazo definitivo para deixar operação de trechos da BR-153 e BR-060 entre Goiânia e Brasília

Com a determinação, um novo processo competitivo deve escolher a nova concessionária que assumirá a gestão da rodovia

Davi Galvão Davi Galvão -
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Pedágio da Triunfo Concebra na BR-060, em Goianápolis. (Foto: Divulgação)

A Triunfo Concebra tem prazo definitivo para deixar a operação da chamada Rota do Pequi, trecho das rodovias BR-060 e BR-153 entre Brasília e Hidrolândia. O Tribunal de Contas da União (TCU) fixou o dia 16 de dezembro como limite para a saída da empresa.

Ao Portal 6, a concessionária afirmou que está em análise a otimização contratual (portaria nº 848, de agosto de 2023, do Ministério dos Transportes) e que tal processo demanda confidencialidade, por isso não iria se pronunciar. Além disso, aproveitou para reafirmar o compromisso com os usuários.

A decisão do TCU impacta diretamente o fluxo logístico de Goiás, já que a Triunfo perderá o controle do segmento entre Goiânia e Brasília, considerado uma das principais artérias econômicas e de transporte de cargas da região.

Com a determinação, um processo competitivo deve escolher a nova concessionária que assumirá a gestão da rodovia.

O modelo atual encerra um ciclo iniciado em 2014, quando a Triunfo Concebra venceu a licitação para administrar 1.176,5 quilômetros de estradas federais.

O formato original acabou desfeito a pedido da própria companhia em abril de 2020, o que gerou uma divisão da malha em três lotes: Rota do Zebu, Rota Sertaneja e Rota do Pequi.

Atualmente, a empresa responde por apenas 211,6 quilômetros do traçado original. Enquanto os outros trechos já migraram para o consórcio formado pelas empresas Way Brasil e Kinea, a Rota do Pequi seguia sob o comando da Concebra por meio de liminar judicial, que garantia os serviços até a formatação do novo contrato.

Repactuação e Troca de Controle Acionário

A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) confirmou a suspensão temporária do processo de relicitação devido ao aval do TCU para a repactuação do contrato.

O plano da agência reguladora prevê a realização, ainda neste ano, da disputa de mercado para transferir o controle acionário da Sociedade de Propósito Específico (SPE) Concebra.

O desenho do acordo chancelado pelo tribunal proíbe a permanência da Triunfo Concebra no trecho após dezembro, abrindo exceção apenas para uma transição operacional curta, caso a ANTT autorize.

Para evitar novos impasses, o documento veda expressamente que as partes acionem o Poder Judiciário com o objetivo de estender a permanência da atual operadora na via.

Acerto Bilionário e Ajuste de Descontos

A saída da empresa envolve a quitação de um passivo financeiro calculado em R$ 4,35 bilhões. Dentro deste montante estão uma dívida de R$ 1,1 bilhão com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 228,7 milhões em penalidades administrativas.

Como parte do trato para viabilizar a transferência, a Triunfo Concebra vai injetar R$ 308,2 milhões no contrato para fins de reequilíbrio financeiro.

Os ministros do TCU barraram uma proposta que dava 65% de desconto sobre o passivo regulatório bruto da concessionária, o que encolheria a dívida em cerca de R$ 1,95 bilhão.

O tribunal considerou o abatimento excessivo e ordenou que a ANTT refaça a conta seguindo o teto tradicional da Corte, que limita o alívio financeiro a 40%.

O encerramento do vínculo exige também que a Triunfo Concebra desista de todas as ações judiciais e arbitragens movidas contra o Estado. A empresa terá de arcar com R$ 30 milhões em repercussões ligadas à Operação Infinita Highway, deflagrada pela Polícia Federal em 2019.

Até que a nova operadora assuma os postos em definitivo, a Concebra precisará manter uma garantia financeira de R$ 100 milhões dedicada exclusivamente aos trabalhos de conservação, manutenção e socorro médico ou mecânico na pista.

Confira a nota da Triunfo Concebra, na íntegra:

A Triunfo Concebra informa que está em análise a otimização contratual (portaria nº 848, de agosto de 2023, do Ministério dos Transportes). O processo demanda um termo de confidencialidade, que ainda não terminou, por isso neste momento não cabe o pronunciamento desta Concessionária.

A realização de obras e novos investimentos deve ocorrer de forma alinhada ao desfecho do processo de otimização, vinculados à política de governo do Ministério dos Transportes e ANTT.

Atualmente a Concessionária administra 210 km de rodovias entre Brasília/DF e Hidrolândia/GO (BR-060/DF, BR-060/GO do km 0 ao km 138 e a BR-153/GO, do km 490 ao km 529+800), segue realizando os serviços pactuados de conservação e atendimento emergencial médico e mecânico, e reafirma o seu compromisso com os usuários.

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Davi Galvão

Davi Galvão

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua como repórter no Portal 6, com base em Anápolis, mas atento aos principais acontecimentos do cotidiano em todo o estado de Goiás. Produz reportagens que informam, orientam e traduzem os fatos que impactam diretamente a vida da população.

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