Promotor Eliseu Belo recorre de sentença e pede pelo menos 40 anos de prisão para homem que esfaqueou ex 28 vezes em Anápolis
Representante entende que há fatores que deveriam aumentar tempo de prisão de Wanderson dos Santos Sousa, condenado a cumprir 16 anos e 8 meses

Em recurso enviado ao Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), o promotor Eliseu Belo, da 16ª promotoria de Justiça da comarca de Anápolis, pediu para que fosse aumentada a pena de Wanderson dos Santos Sousa, condenado a 16 anos e 8 meses de prisão por esfaquear a ex-companheira mais de 25 vezes em Anápolis.
Segundo a apelação, o representante do Ministério Público de Goiás (MPGO) entende que a pena-base deveria ter sido maior em decorrência de diversos fatores.
O primeiro, é que não foi considerada a premeditação do crime, evidenciada pelo planejamento prévio da emboscada – visto que ele decidiu agir apenas tarde da noite, logo após a vítima – Mariana Altiva de Melo – colocar a filha de apenas três anos para dormir.
O segundo, é que também não foi levado em consideração o comportamento de Wanderson, que agiu de forma a dificultar a defesa da vítima e na frente dos filho pequenos.
Já o terceiro se trata da personalidade e histórico violento do réu. Conforme consta na apelação, isso se mostra nos fatos de que:
- foram emitidas quatro medidas protetivas concedidas contra o condenado entre abril de 2024 e a data dos fatos, todas motivadas por episódios de agressão física e verbal;
- descumprimento reiterado dessas ordens judiciais;
- áudios nos quais Wanderson afirma que “de todo jeito ia matar” Mariana e que “não tinha medo de ninguém”, nem mesmo do pai dela, que é policial civil aposentado;
- e ameaças dirigidas também ao próprio pai da vítima em mais de uma ocasião
Pena reduzida
Por fim, Eliseu compreende que houve uma redução excessiva da pena, pelo fato de ter sido uma tentativa de homicídio e o crime não ter sido consumado. A condenação foi reduzida de 33 anos e quatro meses para 16 anos e oito meses de prisão.
Além disso, o assassinato só não foi consumado pois o autor acreditou que Mariana tivesse morrido – havendo inclusive afirmado a um amigo que “havia acabado de matar” a vítima.
“Graças a Deus ela tinha desmaiado e foi isso que fez ele parar — porque achou que ela estava morta”, disse o pai da mulher, em depoimento à Justiça.
Reconsideração da pena
Dessa forma, Eliseu Belo pede que o TJGO considere esses apontamentos para aumentar a sentença de Wanderson ao valor de 40 anos de reclusão.
Por fim, pede ainda a manutenção de todos os demais pontos da condenação, incluindo o regime fechado, a indenização à vítima e a perda do poder familiar.
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