José Ferreira, açougueiro há 30 anos: “Nunca descongele carne na pia; deixe na geladeira de um dia para o outro, senão ela perde o suco e estraga por dentro”
Cuidado simples antes do preparo ajuda a preservar textura, sabor e segurança na hora de levar a carne para a panela

Descongelar carne parece uma tarefa comum, dessas que muita gente faz no automático antes do almoço ou do jantar. Mas, na cozinha, alguns hábitos simples podem mudar completamente o resultado final e até evitar problemas de saúde.
A forma como a carne sai do freezer influencia a textura, o sabor, a suculência e a segurança do alimento.
É por isso que o alerta de José Ferreira, açougueiro há 30 anos, chama atenção. Segundo ele, carne não deve ser descongelada em cima da pia, exposta por horas à temperatura ambiente.
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O método pode parecer mais rápido, mas favorece a perda de líquidos e cria condições para que a carne estrague antes mesmo de ir ao fogo.
Quando a carne fica na pia, a parte externa descongela primeiro e começa a aquecer, enquanto o centro ainda pode continuar congelado.
Esse contraste prejudica a estrutura da peça, faz com que ela solte mais suco e aumenta o risco de proliferação de microrganismos.
Por fora, ela pode parecer pronta para o preparo, mas por dentro ainda não descongelou de maneira segura.
O jeito mais indicado, segundo o açougueiro, é transferir a carne do freezer para a geladeira de um dia para o outro.
Assim, o descongelamento acontece lentamente, em temperatura controlada. Esse cuidado ajuda a preservar a umidade natural, evita mudanças bruscas na textura e reduz riscos de contaminação.
A geladeira também permite que a carne descongele de forma mais uniforme.
Isso faz diferença principalmente em peças maiores, bifes grossos, carne moída em bloco, frango e cortes com osso.
Quanto mais regular for o descongelamento, melhor será o resultado na panela, na frigideira, na churrasqueira ou no forno.
Outro ponto importante é manter a carne bem embalada durante o processo.
O ideal é deixá-la em um recipiente fechado ou sobre um prato fundo, sempre na parte baixa da geladeira, para evitar que líquidos escorram sobre outros alimentos.
Esse cuidado simples ajuda a manter a higiene e evita contaminação cruzada.
José Ferreira também reforça que descongelar carne em água quente não é uma boa saída.
Embora pareça acelerar o processo, o calor pode alterar a parte externa da carne, comprometer a textura e aumentar os riscos.
Se houver pressa, o mais seguro é usar água fria, com a carne bem protegida em embalagem fechada, trocando a água quando necessário.
Depois de descongelada, a carne deve ser preparada o quanto antes.
Se a peça ficou tempo demais fora da geladeira, apresentou cheiro forte, textura pegajosa ou mudança de cor muito evidente, o melhor é não arriscar.
Economia nenhuma compensa uma intoxicação alimentar.
Também vale lembrar que carne crua descongelada não deve voltar ao freezer sem ser preparada antes.
Caso a pessoa descongele mais do que vai usar, o mais seguro é cozinhar a carne e só depois congelar novamente, em pote limpo e bem fechado.
No fim, o conselho do açougueiro é direto porque vem da prática. Descongelar carne com calma, dentro da geladeira, pode exigir planejamento, mas faz diferença no sabor, na maciez e na segurança.
Na cozinha, o cuidado começa antes do tempero e, muitas vezes, antes mesmo de a panela esquentar.
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