Estudante brasileiro usou fruto do Cerrado para criar repelente que mantém 87% da proteção, é 3 vezes mais eficaz que o industrial e foi premiado na maior feira de ciências do mundo
Curiosidade, dedicação e conhecimento abriram portas para uma conquista admirada por especialistas internacionais

O interesse pelas propriedades de um fruto abundante na Amazônia e no Cerrado levou o estudante maranhense Gustavo Botega Serra, então com 17 anos, a desenvolver um repelente natural de baixo custo com potencial para combater mosquitos transmissores de arboviroses.
A pesquisa surgiu após ele observar comunidades rurais utilizando o tucum-mirim (Astrocaryum acaule) como unguento tradicional.
A partir desse conhecimento popular, o jovem decidiu investigar cientificamente a planta por meio do Programa Cientista Aprendiz, da Universidade Estadual da Região Tocantina do Maranhão (Uemasul).
- Adeus, rachaduras na parede: cimento vivo que se conserta sozinho começa a ser usado por construtoras
- Aos 16 anos, ela transformou cascas de laranja e abacate jogadas fora em um material capaz de reter água no solo, criando uma solução barata contra a seca
- Rede de supermercado demite mais de 6 mil funcionários e fecha 28 lojas
O estudo identificou compostos naturais presentes no tucum-mirim com ação repelente, inseticida e larvicida.
Segundo os testes realizados durante a pesquisa, o produto apresentou índices de proteção superiores a 90% em avaliações laboratoriais com tecido suíno, mantendo cerca de 87% da eficácia ao longo do período analisado.
De acordo com o pesquisador, o desempenho foi até três vezes superior ao observado em alguns repelentes comerciais utilizados como referência experimental, além da vantagem de utilizar matéria-prima abundante e sem necessidade de reagentes químicos adicionais para potencializar a fórmula.

(Imagem: Arquivo Pessoal)
Reconhecimento internacional
O trabalho rendeu a Gustavo o Prêmio Weizmann, que concede uma bolsa de estudos em Israel, além da classificação para a Regeneron International Science and Engineering Fair (ISEF), considerada a maior feira internacional de ciências para estudantes do ensino médio.
Na competição, realizada nos Estados Unidos, o jovem conquistou o segundo lugar geral, levando a pesquisa brasileira ao cenário científico internacional e demonstrando o potencial da biodiversidade nacional para o desenvolvimento de novas tecnologias.
Potencial para o futuro
Embora os resultados laboratoriais sejam promissores, o repelente ainda precisa passar por testes em pele humana e pelas etapas regulatórias antes de chegar ao mercado.
Gustavo também acredita que o tucum-mirim possui outras propriedades que poderão ser estudadas futuramente, incluindo possíveis aplicações cicatrizantes, antifúngicas e antimicrobianas.
A pesquisa reforça a importância da ciência produzida no Brasil e mostra como o conhecimento tradicional, aliado ao método científico, pode gerar soluções inovadoras para desafios de saúde pública, como o combate à dengue, zika e chikungunya.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!








