Mais de 1.500 tartarugas-gigantes são reintroduzidas nas Ilhas Galápagos e ajudam a restaurar o ecossistema local

Animais criados em programas de conservação voltam à natureza e passam a controlar espécies invasoras, recuperar a vegetação e reequilibrar o ambiente

Magno Oliver Magno Oliver -
Mais de 1.500 tartarugas-gigantes são reintroduzidas nas Ilhas Galápagos e ajudam a restaurar o ecossistema local
(Imagem: Reprodução/ Captura de tela/ Youtube)

Mais de 1.500 tartarugas-gigantes foram reintroduzidas recentemente em áreas das Ilhas Galápagos, no Equador, como parte de um dos mais bem-sucedidos programas de restauração ambiental do mundo.

A ação integra décadas de trabalho do Parque Nacional de Galápagos, com apoio de pesquisadores internacionais e fundações científicas.

As tartarugas-gigantes são consideradas espécies-chave do arquipélago.

Ao se alimentarem, caminharem longas distâncias e dispersarem sementes, elas moldam a paisagem natural e ajudam a manter o equilíbrio do ecossistema. Quando desapareceram de várias ilhas, o ambiente sofreu mudanças profundas.

Tartarugas atuam como “engenheiras do ecossistema”

Estudos conduzidos por cientistas ligados à Fundação Charles Darwin e publicados em revistas científicas internacionais mostram que a ausência das tartarugas permitiu a proliferação de plantas invasoras e arbustos densos, que alteraram a vegetação original e prejudicaram outras espécies nativas.

Com a reintrodução, as tartarugas passaram a controlar naturalmente essas plantas, abrindo áreas de pastagem, favorecendo o crescimento de espécies nativas e ajudando a restaurar a paisagem histórica das ilhas.

Pesquisadores observaram mudanças claras na composição do solo e na distribuição da vegetação poucos anos após o retorno dos animais.

Décadas de conservação para reverter quase a extinção

O processo começou há mais de 50 anos, após a caça intensiva e a introdução de espécies invasoras, como cabras e porcos, quase levarem algumas populações à extinção. Em certos casos, restavam menos de 20 tartarugas vivas em uma ilha.

Para reverter o cenário, conservacionistas passaram a recolher ovos, criar filhotes em centros especializados e soltá-los apenas quando atingiam tamanho suficiente para sobreviver no ambiente natural.

Segundo dados oficiais do Parque Nacional de Galápagos, mais de 9.500 tartarugas-gigantes já foram reintroduzidas no arquipélago ao longo das últimas décadas.

Além da recuperação das populações, o retorno das tartarugas ajudou a eliminar os efeitos deixados por espécies invasoras removidas anteriormente, garantindo que o ecossistema voltasse a funcionar de forma autônoma.

Especialistas destacam que o caso de Galápagos se tornou referência mundial em restauração ecológica, mostrando que a reintrodução de espécies fundamentais pode regenerar ambientes inteiros, mesmo após séculos de impacto humano.

Hoje, as tartarugas-gigantes não representam apenas um símbolo das ilhas, mas também a prova de que a conservação científica de longo prazo pode transformar radicalmente a relação entre seres humanos e a natureza.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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