Escola da Vila Fabril que deveria ter sido entregue em julho de 2024 segue com obras paradas
Prefeitura afirmou que projeto segue sob auditoria e que valores foram adquiridos via empréstimo pela antiga gestão, sem disponibilidade no caixa

A promessa de uma escola municipal na Vila Fabril, em Anápolis, veio como um alívio aos pais e mães do bairro, como uma alternativa mais prática e cômoda de ensino para as crianças. Porém, em fevereiro de 2026, a promessa segue como uma promessa, com a obra já angariando mais de um ano de atraso e sem nenhum sinal de retomada.
Os trabalhos tiveram início com a ordem de serviço assinada pelo então prefeito Roberto Naves (Republicanos) em setembro de 2023 e um investimento anunciado de aproximadamente R$ 4,9 milhões, foi anunciado um prazo de 10 meses para conclusão.

Anunciado em setembro de 2023, projeto deveria ter sido entregue em até 10 meses. (Foto: Reprodução)
Entretanto, a unidade que atenderia 700 estudantes e deveria ter sido entregue em julho de 2024 não ateu-se ao cronograma e, em fevereiro de 2025, foi uma das diversas obras paralisadas pela atual gestão.
A justificativa dada à época foi “a necessidade de dar continuidade à análise técnica e administrativa das obras e serviços de engenharia em andamento” e “garantir a correta aplicação dos recursos públicos”, uma vez que ainda há pendências na verificação dos cronogramas financeiro e de execução.
Lado de quem cuida
Para os pais, a sensação é de abandono e descaso, como desabafou Marilia Gabriela, que em entrevista ao Portal 6, lamentou o abandono de uma obra que poderia tornar a rotina de quem depende da educação pública.
“Aqui a gente precisa parar tudo o que tá fazendo para aguardar no ponto o ônibus que leva eles para a outra escola na [bairro da] Lapa. A gente não tá reclamando da escola ser em outro bairro só por reclamar, é mais por já ter uma quase pronta aqui, prometerem pra gente e ficarem enrolando assim”, desabafou.
Mãe de uma pequena que cursa o Infantil 5, Marilia e tantos outros pais e mães dependem do transporte público que passa em três pontos da Vila Fabril para levar as crianças até o bairro vizinho. Se a escola já tivesse sido entregue, ela contou que eles próprios poderiam levar os pequenos até a unidade, poupando tempo e dando maior segurança.
Outro pai, que preferiu não ser identificado, comentou que a entrega da obra permitira mais tempo com a família e uma rotina mais fácil para ele próprio, uma vez que não precisaria aguardar pelo ônibus no ponto.
“Quem precisa entrar 13h no serviço fica complicado demais, porque precisa estar lá faltando é 15 minutos pra 13h, daí entrega o menino e tem que correr se não atrasa no trabalho”, disse.
A reportagem questionou a Prefeitura de Anápolis acerca da paralisação nas obras, sendo informada de que a “Escola Municipal da Vila Fabril integra o conjunto de empreendimentos vinculados ao empréstimo contratado pela gestão anterior, cujos compromissos financeiros foram assumidos sem a correspondente disponibilidade de recursos em caixa”.
Assim, vem sendo realizada uma auditoria nos contratos supracitados, com o Município atuando para retomar os trabalhos, sendo a escola uma das prioridades da gestão.
Ainda, a Administração Municipal reforçou que a obra está 52% concluída e que a paralisação não representa abandono, mas responsabilidade financeira.
Confira a nota da Prefeitura na íntegra:
A Secretaria Municipal de Obras esclarece que a construção da Escola Municipal da Vila Fabril integra o conjunto de empreendimentos vinculados ao empréstimo contratado pela gestão anterior, cujos compromissos financeiros foram assumidos sem a correspondente disponibilidade de recursos em caixa.
Diante do cenário encontrado, a atual administração realizou auditoria técnica e financeira nos contratos relacionados ao programa. A obra possui aproximadamente 52% dos serviços executados.
O Município adota medidas para viabilizar a retomada dos trabalhos, incluindo a renegociação da operação de crédito, atualmente em fase avançada, com o objetivo de reduzir o impacto dos encargos financeiros e assegurar a conclusão do empreendimento de forma sustentável.
A retomada da obra é prioridade da gestão, com previsão de restabelecimento dos serviços ainda neste semestre, observadas as condições técnicas e financeiras necessárias.
A Secretaria reforça que a paralisação não representa abandono, mas medida administrativa responsável diante do contexto financeiro identificado.
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