Delegada da DPCA de Anápolis faz alerta após tragédia em Itumbiara: “Não são casos isolados”
Em vídeo, Aline Lopes afirma que crime envolvendo secretário expõe padrão de violência e critica culpabilização da mulher

A tragédia ocorrida em Itumbiara, onde o Secretário de Governo atirou contra os filhos e depois tirou a própria vida, continua gerando comoção em Goiás. Em vídeo divulgado nas redes sociais, a titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) de Anápolis, Aline Lopes, faz um alerta.
A reflexão da delegada gira em torno da violência de gênero enraizada na sociedade brasileira, que sempre culpabiliza a mulher pelos atos de homens criminosos.
“Não há palavras para a monstruosidade que esse homem fez. De onde homens pensam que por a mulher não querer mais o relacionamento, eles têm direito de acabar com a vida da mulher ou de duas crianças inocentes para puni-la em vida?”, comenta a delegada.
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Aline também critica os comentários feitos, às centenas, afirmando que os atos da mãe poderiam evitar a violência.
“O que mais me dá raiva de uma história dessa é olhar os comentários das notícias e ver gente falando que ela causou isso, repetindo o discurso de ‘Se ela não tivesse feito isso, ele não teria feito o que fez’. Que que é isso, gente? Não tem nada que justifique”, disse em vídeo.
Por fim, na legenda da publicação, a titular da DPCA concluiu: “Como delegada que trabalha com proteção de crianças, preciso dizer: esses casos não são isolados. São a ponta de um iceberg sustentado por uma cultura que ainda vê mulheres e crianças como extensões do homem, não como pessoas autônomas”.
Casos não são isolados
Casos como o ocorrido em Itumbiara, na última quinta-feira (12), são conhecidos como “violência vicária”.
O tema é relativamente novo em meio ao Direito e diz respeito ao tipo de violência de gênero que usa terceiros, frequentemente crianças e adolescentes, como meio de causar danos emocionais e psicológicos à vítima (mulher).
Repercutindo o tema, a Defensoria Pública de Goiás (DPE-GO) publicou, nessa sexta-feira (13), uma nota de posicionamento reforçando que atos criminosos como os de Thales Machado são recorrentes, em diferentes níveis.
“Ela não tem culpa. Ponto final. Atos de abuso, violência e feminicídio são crimes. E ferir os filhos para atingir a mãe tem nome: violência vicária”, disse o órgão em publicação no Instagram.
“A DPE-GO reforça que a responsabilidade é sempre de quem comete a violência. Independente do comportamento, da roupa ou da voz de quem está do outro lado. E expor a mulher vítima de violência pode configurar crime”, finalizou.
“NADA JUSTIFICA” ‼️ Delegada da DPCA de Anápolis faz alerta após tragédia em Itumbiara: “Não são casos isolados”
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— Portal 6 (@portal6noticias) February 13, 2026
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