Anápolis cresce nas urnas e enfrenta desafio para eleger mais deputados em 2026
Cidade mantém desempenho sólido na Alego, mas ainda enfrenta dificuldade para ampliar presença na Câmara dos Deputados

Com 282.314 eleitores aptos em 2026, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Anápolis segue como o terceiro maior colégio eleitoral de Goiás. O tamanho coloca o município em posição estratégica nas eleições, com potencial para influenciar diretamente a composição da Assembleia Legislativa e da Câmara dos Deputados.
Na prática, porém, esse peso não se converte da mesma forma nas duas esferas.
Nas eleições de 2022, a cidade conseguiu garantir forte presença na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), elegendo quatro deputados estaduais: Amilton Filho (MDB), Antônio Gomide (PT), Vivian Naves (PP) e Coronel Adailton (hoje no Solidariedade, à época no PRTB).
A votação dentro do próprio município mostra essa concentração. Esposa do então prefeito Roberto Naves (Republicanos), Vivian Naves liderou com 25.795 votos, seguida pelo ex-prefeito Antônio Gomide, com 25.553. Já Amilton Filho teve 22.683, enquanto Coronel Adailton somou 9.102 votos, ambos em busca da reeleição.

Amilton Filho, Antônio Gomide, Vivian Naves e Coronel Adailton, eleitos deputados estaduais em 2022. (Foto: Divulgação/Agência Alego)
Característica do eleitor
Além dos eleitos, outros nomes locais também tiveram desempenho expressivo nas urnas, como o médico Samuel Gemus (à época no Agir, hoje no Democracia Cristã), com 10.205 votos, o vereador Policial Federal Suender (à época no PRTB, hoje no PL), com 9.949, a vereadora Thaís Sousa (à época no PP, hoje no Republicanos), com 9.104, e o ex-deputado José de Lima (à época no Patriota, hoje no Democrata 35), com 7.434.
Esse cenário reforça uma característica do eleitorado anapolino: maior tendência de apoiar lideranças locais quando a disputa é estadual.
Ao mesmo tempo, ele também indica um limite. Fora os nomes já consolidados, a entrada de novos candidatos com viabilidade eleitoral para a Alego tende a ser mais difícil, já que a base de votos costuma se concentrar nas figuras já conhecidas do eleitorado.
Já na corrida para a Câmara dos Deputados, o comportamento foi diferente.
Apesar do alto volume de votos, Anápolis elegeu apenas um deputado federal: Rubens Otoni (PT), que somou 83.539 votos no total. O detalhe é que ele não foi o mais votado dentro da cidade.

Rubens Otoni, deputado federal. (Foto: Divulgação/Pablo Valadares/Câmara dos Deputados)
Os maiores volumes locais ficaram com o atual prefeito Márcio Corrêa (PL), então no MDB, que teve 28.328 votos, e o ex-presidente da Câmara Municipal Leandro Ribeiro (MDB), à época no PP, com 25.005. Ambos concentraram força local, mas não conseguiram transformar a votação em mandato.
Outros candidatos sem ligação direta com o município também tiveram desempenho relevante entre os eleitores anapolinos. A apresentadora Silvye Alves (União Brasil) recebeu 20.319 votos na cidade, enquanto Gustavo Gayer (PL) somou 11.654.
Avaliação
Para o cientista político Guilherme Carvalho, doutor pela Universidade de Brasília (UnB), esse padrão reflete a forma como o eleitor decide o voto. “O eleitor não vota concentradamente por região. Ele vota por razões ideológicas, afinidades pessoais ou fluxos de políticas que atendam interesses específicos”, explica.
Na avaliação dele, a capacidade de transformar votos em influência política não depende apenas da origem dos candidatos. “O problema central pode ter mais relação com a capacidade da elite política local em fazer os problemas serem reconhecidos nos gabinetes em Brasília e Goiânia”, afirma.
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