Advogada goiana é presa na Bahia sob suspeita de desviar R$ 650 mil de clientes em ações de revisão de financiamento
Profissional oferecia, desde 2014, ações revisionais ou negociação de dívidas diretamente com as imobiliárias; 17 vítimas foram identificadas até o momento

Uma advogada de Goiânia foi presa na Bahia sob suspeita de se apropriar do dinheiro de clientes que buscavam ações de revisão de financiamento imobiliário.
Segundo a Polícia Civil de Goiás (PCGO), 17 possíveis vítimas foram identificadas até o momento, com prejuízo causado que chega a R$ 650 mil. A prisão ocorreu no dia 22 de julho, em meio à Operação Causa Própria.
Conforme a investigação, Rina Campbell Pena prestava serviços para pessoas de baixa renda e que enfrentavam dificuldades financeiras para manter o financiamento de imóveis, incluindo casas populares e lotes.
O serviço incluía o ajuizamento de ações revisionais ou a negociação de dívidas diretamente com as imobiliárias, informando aos clientes que conseguiria reduzir juros ou o valor das parcelas.
Em meio à negociação, alguns clientes chegavam a repassar valores diretamente para a advogada, que dizia intermediar o acordo com as empresas.
Porém, conforme relato do delegado Douglas Pedrosa à TV Anhanguera, as quantias eram retidas, fazendo com que parcelas não fossem pagas e os juros aumentassem.
“Ela conseguia, por meio de captadores de ações ou do boca a boca, convencer os clientes a entrarem com ações revisionais de contrato ou fazer acordos com imobiliárias. Uma vez feito isso, ela encontrava alguma forma de se apropriar do direito dessas vítimas”, disse o delegado.
De acordo com a PCGO, Rina Pena teria usado a estratégia com diversos clientes, desde 2014. Quando as vítimas buscavam informações sobre o andamento dos acordos, a advogada dava justificativas para não atendê-los, incluindo supostos problemas de saúde.
Além da prisão, ocorrida em um resort na Bahia, a PCGO também cumpriu mandados de busca e apreensão no escritório dela, no Setor Oeste da capital.
Em nota encaminhada à imprensa, a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) informou que acompanha o caso e que, por padrão, apura todas as supostas infrações que chegam ao conhecimento da instituição. Por fim, informou também não comenta a prisão ou condenação de advogados inscritos.
A reportagem entrou em contato com o escritório Campbell Pena Assessoria Jurídica, questionando sobre a prisão. O espaço para posicionamento permanece em aberto.
Confira a nota da OAB na íntegra
A Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO), por meio do Sistema de Defesa das Prerrogativas (SDP), acompanhou a Operação Causa Própria, nos dias 22 e 23 de julho, que envolve uma advogada. A Seccional esclarece que apura todas as infrações que chegam ao seu conhecimento, tomando as medidas cabíveis para defender a dignidade da advocacia, sempre respeitando o amplo direito de defesa e o contraditório.
A OAB-GO reforça que esse acompanhamento visa resguardar as prerrogativas profissionais e fiscalizar o cumprimento dos preceitos éticos da advocacia. Por fim, informa que não comenta eventuais prisões ou condenações de seus inscritos.







