Como pensa quem mata? Psicólogo forense explica comportamento por trás de crimes violentos

Durante entrevista ao Portal 6 Ao Vivo, Shouzo Abe analisou crimes de grande repercussão e esclareceu mitos sobre psicopatia, impulsividade e comportamento criminoso

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Como pensa quem mata? Psicólogo forense explica comportamento por trás de crimes violentos
Psicólogo jurídico e forense Shouzo Abe explicou como analisa comportamentos, impulsividade e crimes planejados sem antecipar diagnósticos (Foto: Captura de tela/Youtube/ Canal Portal 6)

Casos de homicídios que ganham repercussão nacional costumam levantar uma pergunta difícil de responder: o que leva uma pessoa a cometer um crime tão violento? Esse foi o tema da entrevista do psicólogo jurídico e forense Shouzo Abe ao Portal 6 Ao Vivo desta sexta-feira (31).

Logo no início da entrevista, o especialista fez questão de destacar que a Psicologia Forense não trabalha com diagnósticos baseados apenas nas informações divulgadas pela imprensa.

Segundo ele, qualquer conclusão depende de avaliações psicológicas, psiquiátricas e da análise completa do histórico do investigado.

Um dos principais pontos abordados foi a diferença entre crimes cometidos por impulso e aqueles planejados com antecedência. Para Shouzo, essa distinção é importante porque influencia diretamente a forma como o comportamento é analisado durante as investigações.

Segundo o psicólogo, em situações impulsivas pode haver perda momentânea de controle emocional, muitas vezes potencializada pelo consumo de álcool ou outros fatores. Ainda assim, ele ressalta que a bebida, por si só, não explica um homicídio.

“A bebida pode diminuir os freios da pessoa e fazer aflorar comportamentos que já estavam presentes, mas ela não é responsável pelo crime”, explicou.

Já nos crimes premeditados, o especialista afirma que existe um processo muito mais elaborado, marcado por planejamento, organização e tentativa de ocultar o delito, exigindo avaliações psicológicas ainda mais criteriosas.

Outro tema que recebeu destaque foi a diferença entre compreender um criminoso e justificar suas ações. Segundo Shouzo, conhecer a história de vida de quem comete um crime é essencial para identificar fatores de risco e construir estratégias de prevenção, mas isso não reduz a responsabilidade pelos atos praticados.

“Compreender o preso não é justificar o ato dele, é entender exatamente até mesmo para que exista uma política de prevenção”, afirmou.

Durante a entrevista, ele também relembrou experiências vividas no sistema prisional, onde atuou realizando avaliações psicológicas de detentos.

Segundo o especialista, muitos presos apresentam históricos marcados por abandono, violência e vulnerabilidade social desde a infância, realidade que ajuda a compreender a trajetória dessas pessoas, embora não justifique os crimes cometidos.

Além desses temas, a conversa também passou por assuntos como psicopatia, violência doméstica, saúde mental, o funcionamento da Psicologia Forense e os desafios da ressocialização no sistema prisional, entre outros temas ligados à criminalidade e ao comportamento humano.

A entrevista completa está disponível no Portal 6 Ao Vivo, programa exibido de segunda a sexta-feira, às 18h30, no canal oficial do Portal 6 no YouTube.

Confira a entrevista na íntegra:

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua no Portal 6 desde 2022, passando pelas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com a opinião pública e cotidiano da população.

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