Com fortes chuvas, Anápolis tem 15 erosões em situação de risco na mira da Defesa Civil

Solo é da 'época dos dinossauros' e especialista explica o porquê de ele ser tão frágil

Caio Henrique -
Erosão do Kartódromo, antes da obra do Túnel da Ferrovia Norte-Sul, em Anápolis. (Foto: Kesia Santos)

Os processos erosivos são fonte de frustração para todo o tipo de atividade humana, seja os motoristas, pedestres ou até mesmo moradores próximos.

A situação é ainda mais complicada durante o período chuvoso, que atualmente domina as previsões do tempo para Anápolis.

Isso porque a força d’água remove o material do solo, causando imensos desgastes nas mais diversas regiões, além dos perigos óbvios de se ter o chão arrancado dos pés.

Em entrevista ao Portal 6, o engenheiro ambiental e coordenador municipal da Defesa Civil de Anápolis, Rafael Farinha, detalhou que o órgão realiza levantamentos e pesquisas periódicas durante o ano, a fim de identificar zonas de risco para a população.

Atualmente, segundo ele, 15 áreas são avaliadas e monitoradas pela Defesa Civil no município.

Um dos exemplos citados por ele foi a área ao lado do Brasil Park Shopping, onde passa o córrego em uma rua que já foi, inclusive, interditada. A Rua 17, no Parque Residencial das Flores, é outra zona atualmente monitorada.

“Não significa que todas representam risco imediato à população ali presente, mas estão sendo acompanhadas e algumas devem receber até intervenções pontuais para assegurar o povo, ainda no período chuvoso”, afirmou.

Fatores não só como a erosão, mas também a possibilidade de deslizamentos e inundações são levados em conta na análise e atuação preventiva.

“Outra questão importante é que identificamos muitos resíduos descartados de maneira irregular e até criminosa. Isso não só prejudica o meio ambiente e a saúde, como também favorece a formação de erosão. É necessário exercer a cidadania e responsabilidade neste momento”, pediu.

Rafael também deixou um conselho para os anapolinos que se depararem com algum cenário do tipo nas ruas.

“A primeira coisa a se fazer é saber se os órgãos responsáveis já estão cientes da situação da área, da existência de erosão e o quão perto ela está dos moradores”, explicou.

Este tipo de contato e denúncia pode ser feito através do Zap da Prefeitura, conforme explicado pelo servidor.

Mas afinal, como surge a erosão?

A reportagem do Portal 6 também conversou com Kesia Rodrigues dos Santos, que além de ser professora doutora do curso de Geografia da Universidade Estadual de Goiás (UEG), também estuda a erosão urbana de Anápolis desde 2004.

Ela contou que o solo da cidade é muito antigo, anterior até mesmo à própria raça humana.

“Nossos solos e relevos foram formados no período Terciário, entre a extinção dos dinossauros e a idade dos grandes mamíferos que habitaram a Terra”, destacou.

“Além da questão tempo, ele teve a formação em uma época árida e muito seca, gerando um material muito resistente, quase como se colasse grãos de pedra com ferro”, complementou.

E foi com o passar dos anos que o velho ditado “água mole, pedra dura, tanto bate até que fura” se tornou realidade em Anápolis.

Conforme explicado pela professora, a constante presença da água dissolveu as ligações e fragilizou o solo, o deixando em processo de decomposição.

O fenômeno, por si só, já é responsável pela pré-disposição de erosão nos dias de hoje. Porém, aliado a isso, ocorreram as novas atividades modernas de urbanização, como as drenagens e a mineração de cascalho para a fundação de grandes avenidas e rodovias.

“Esse é um dos principais, se não o maior dos agravantes, porque ele retira a camada mais rígida de um solo que já estava desprotegido, expondo a parte mais erosiva possível”, justificou a especialista.

“Foi assim que surgiram algumas das maiores erosões da história do município, como a da Vila Formosa, por exemplo”, concluiu.

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