Há 66 anos de pé: casa simples de madeira vira relíquia e revela história emocionante da Dona Nina
O brilho nos olhos revela a força de quem enfrentou o tempo com coragem

No coração do bairro Amambai, uma estrutura de madeira verde desafia o tempo e a verticalização urbana, mantendo-se como um testemunho vivo da colonização local.
Aos 90 anos, a pioneira Dona Nina preserva não apenas o imóvel construído há mais de seis décadas, mas a memória de uma época em que a região era dominada pelo mato e pela ausência de infraestrutura básica.
O imóvel, um presente do falecido marido, Seu José, tornou-se uma relíquia familiar protegida por rituais de conservação anuais, como a pintura meticulosa das tábuas, garantindo que a residência permaneça com o mesmo aspecto da data de sua fundação.
Mais do que um teto, a casa é o epicentro de uma trajetória de resistência, onde a matriarca criou dez filhos, entre biológicos e do coração, sob a luz de lampiões que ainda guarda com carinho.
A narrativa de Dona Nina é entrelaçada pelas dificuldades de uma Campo Grande em formação, onde o trabalho como lavadeira exigia longas caminhadas com trouxas de roupas e o enfrentamento de preconceitos sociais.
Com uma lucidez admirável, ela recorda a conquista da iluminação pública para a rua, fruto de sua própria insistência junto à prefeitura para garantir o estudo dos filhos.

(Crédito: Natália Olliver/CampoGrandeNews)
O interior da residência funciona como um arquivo emocional: ferros de passar antigos, escovões de polir o piso e o icônico fogão a lenha, onde ainda prepara iguarias como mocotó, coexistem com dezenas de fotografias de netos, bisnetos e tataranetos.
A manutenção impecável do local, que inclui o jardim repleto de plantas e árvores frutíferas, é um tributo ao esforço do casal para transformar um terreno isolado em um lar de dignidade.
O legado de Dona Nina ganha contornos de patrimônio afetivo, reforçado por uma filosofia de vida baseada na sinceridade e no enfrentamento das adversidades sem prostração.
A casa principal, embora compacta com seus dois quartos e sala, expandiu-se através de anexos para abrigar a família crescente, mantendo sempre a identidade visual estabelecida por Seu José.
Fontes familiares e registros históricos do bairro reforçam que imóveis desta natureza são raridades em áreas centrais, servindo como pontos de referência para estudos sobre a arquitetura popular do século XX.
Ao proteger seu “lampião de 1950” e manter as tradições culinárias e de zelo doméstico, Dona Nina não apenas habita um espaço, mas mantém acesa a chama de uma história que define a identidade da capital sul-mato-grossense.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!








