“É uma dor que não passa”, diz filha de corretor morto carbonizado por comissão de R$ 20 milhões

Vítima foi encontrada com sinais de estrangulamento em uma fazenda às margens da BR-060, em Rio Verde

Gabriella Pinheiro Gabriella Pinheiro -
“É uma dor que não passa”, diz filha de corretor morto carbonizado por comissão de R$ 20 milhões
Corretor Wellington Freitas, de 67 anos, morto em fazenda, em Rio Verde. (Foto: Reprodução/TV Anhanguera)

Passado um ano e um mês após o assassinato do corretor de imóveis rurais Wellington Freitas, de 67 anos, que foi morto por conta de uma comissão de R$ 20 milhões, o sentimento de revolta e ânsia por justiça ainda seguem presentes no coração da filha da vítima, Andressa Freitas.

O profissional foi encontrado carbonizado e com sinais de estrangulamento no dia 20 de junho de 2022, em uma fazenda às margens da BR-060, em Rio Verde, após ficar desaparecido durante duas semanas. Ele ainda respirava quando foi incendiado.

Em entrevista ao G1, a familiar revelou que ela, assim como o restante dos familiares, espera que os acusados pelo crime, Renato de Souza (mandante), Rogério Muniz e Rogério Teles, que vão a júri popular, peguem pena máxima pela crueldade feita com o fazendeiro.

“Eles não só tiraram a vida do meu pai como torturaram ele, então, queremos que eles peguem a pena máxima”, destacou.

Ela também reitera que não havia necessidade de cometer o crime e chega a afirmar que o pai implorou pela vida, conforme contado pelos envolvidos durante os interrogatórios.

Mesmo após mais de um ano do ocorrido, ela ainda destaca que não se recuperou do crime e a cada audiência sente como se um filme passasse pela cabeça.

“Você não se recupera 100%, mas a gente aprende a viver. A dor não passa e a cada hora que a gente passa por uma audiência e sai uma decisão, a gente volta no tempo. Passa um filme na nossa cabeça. É uma dor que não passa, a gente aprende a viver com esse buraco, com esse trauma”, disse.

O crime teria acontecido, após o corretor ter vendido uma fazenda no valor de R$ 300 milhões cobrar uma comissão de R$ 20 milhões para o fazendeiro Renato de Souza, de 55 anos, que era dono do imóvel.

Para não pagar a quantia, o ex-proprietário do local pediu para que Rogério Muniz matasse Wellington pelo valor de R$ 150 mil. Um outro homem, identificado como Rogério Teles também foi chamado e participou do assassinato.

Na data do ocorrido, Muniz, na companhia de Teles, teria ido até a fazenda da vítima afirmando que tinha interesse em comprá-la. Em um dado momento, quando os dois estavam no carro, Muniz imobilizou o corretor com uma corda e o enforcou. O corpo teria sido deixado abandonado no local.

Após a ação, de acordo com a denúncia do Ministério Pública (MP), Rogério Teles ainda teria ligado para Muniz alegando para que ele “terminasse o serviço”, o fazendo retornar ao ambiente e colocar fogo na vítima ainda viva.

Todos os envolvidos foram presos preventivamente e vão passar por júri popular.

Gabriella Pinheiro

Gabriella Pinheiro

Jornalista formada pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás. Atuou no Portal 6 como repórter e editora assistente.

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