O ciclo de lavagem que faz suas roupas durarem mais, segundo a ciência
Escolher o ciclo certo permite que você preserve o tecido, retarde o envelhecimento das peças e ainda diminua os impactos ambientais
Manter as roupas com aparência de novas por mais tempo pode ser mais simples do que parece — e a solução está justamente na forma como elas são lavadas.
Pesquisadores da Universidade de Leeds, em colaboração com especialistas da Procter & Gamble, concluíram que ciclos curtos e com água fria são os que melhor preservam tecidos, retardam o envelhecimento das peças e diminuem impactos ambientais.
A investigação fez parte do doutorado da professora de design Lucy Cotton e analisou, de forma rigorosa, como diferentes modos de lavagem influenciam a liberação de microfibras e a perda de cor.
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Para isso, os cientistas utilizaram dezenas de camisetas de marcas esportivas populares no Reino Unido, como Gildan, Russell e Hanes.
Antes dos experimentos, as máquinas foram acionadas vazias para garantir que não havia fibras residuais. Depois, cada ciclo foi cuidadosamente monitorado: toda a água usada era coletada, evaporada e o resíduo sólido resultante era pesado.
O objetivo era medir, com precisão, quanta microfibra cada lavagem liberava.
Os pesquisadores também avaliaram o desbotamento. A análise envolveu tecidos “receptores”, que entravam no ciclo junto das camisetas para registrar o quanto de tinta se desprendia em lavagens repetidas. As amostras eram comparadas antes e depois de cada teste.
O resultado foi categórico: ciclos mais longos e realizados em temperaturas elevadas, como o tradicional “Algodão Curto” a 40 °C por 85 minutos, causavam significativamente mais perda de cor do que o ciclo “Cold Express”, de apenas 30 minutos. As peças ficavam mais opacas, e estampas vibrantes perdiam intensidade com muito mais rapidez.
A tendência também se confirmou na transferência de cor para outros tecidos. Nas lavagens mais quentes e demoradas, o tingimento se soltava com maior facilidade, manchando principalmente tecidos brancos usados como parâmetro pelos pesquisadores.
No caso das microfibras, o comportamento foi ainda mais preocupante: tanto em peças de algodão quanto de poliéster, a quantidade liberada aumentava conforme subiam a temperatura e o tempo de lavagem.
E esse desprendimento não diminuía com o uso. Mesmo na oitava e na décima sexta lavagem, as camisetas continuavam liberando microfibras em níveis considerados significativos pelos cientistas.
Com base em todos esses dados, os autores defendem que a melhor maneira de preservar roupas — e, ao mesmo tempo, reduzir a pegada ambiental da lavanderia doméstica — é optar por ciclos mais suaves, curtos e com água fria. Essa escolha diminui a liberação de microfibras no sistema hídrico, reduz o desperdício de sabão e ainda economiza energia.
Embora financiado pela Procter & Gamble, que desde 2005 promove detergentes específicos para lavagens em água fria, o estudo foi revisado por pares e publicado na revista científica Dyes & Pigments.
Segundo os pesquisadores, o avanço mais importante é oferecer evidências concretas de que pequenas mudanças na rotina de lavagem podem prolongar a vida útil das roupas — e beneficiar o planeta.
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