O navio esquecido no meio do oceano que se transformou em uma floresta flutuante
Ali onde havia abandono, surgiu um cenário que desafia lógica, história e previsões humanas

Durante décadas, embarcações abandonadas foram tratadas apenas como resíduos do progresso industrial e as meras ações do tempo em cima da flutuante estrutura. No entanto, em raros casos, esses vestígios ganham novos significados ao serem reocupados pela natureza.
Um dos exemplos mais emblemáticos desse fenômeno está na costa da Austrália, onde um antigo navio cargueiro se tornou símbolo de regeneração ambiental e resiliência ecológica.
Construído em 1911, o SS Ayrfield teve papel ativo no transporte marítimo durante a Primeira Guerra Mundial. Após anos de operação comercial, foi desativado e deixado em Homebush Bay, região portuária de Sydney que concentrava diversos cascos descartados e enferrujados ao longo do século XX.
Sem manutenção, o navio sofreu corrosão acelerada, afundou parcialmente e acabou fixado no fundo raso da baía.
Pesquisas ambientais indicam que áreas estuarinas como Homebush Bay oferecem condições ideais para a colonização de manguezais, especialmente quando há estruturas sólidas que servem de ancoragem para raízes.
Foi exatamente esse processo que ocorreu no interior do casco do SS Ayrfield. Ao longo dos anos, os mangues cresceram, se adensaram e transformaram a embarcação em um microecossistema funcional.
O avanço da vegetação favoreceu o retorno de aves, pequenos crustáceos, insetos e espécies aquáticas, criando um ambiente de biodiversidade inesperado.
Especialistas apontam o local como um exemplo espontâneo de renaturalização, no qual a natureza ocupa espaços industriais sem intervenção humana direta, fenômeno cada vez mais estudado em ecologia urbana e costeira.
Atualmente, o antigo navio é reconhecido como um dos cenários mais fotografados da região e ficou conhecido internacionalmente como “floresta flutuante”, embora permaneça apoiado no fundo da baía.
Mais do que um ponto turístico, o SS Ayrfield se tornou um estudo vivo sobre o impacto do tempo, a capacidade adaptativa dos ecossistemas e a forma como estruturas humanas podem ser ressignificadas pela própria natureza.
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