Copiadora de Goiânia repassava documentos de clientes ao Comando Vermelho para fraudes de R$ 500 milhões

Investigação revelou uso indevido de dados pessoais para ocultar a origem de recursos ilícitos em operações financeiras

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Copiadora de Goiânia repassava documentos de clientes ao Comando Vermelho para fraudes de R$ 500 milhões
(Foto: Divulgação/Tribunal de Justiça de Goiás)

Uma copiadora localizada em um shopping de Goiânia foi alvo de investigação após clientes do estabelecimento terem documentos pessoais usados, sem consentimento, em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho.

A prática criminosa veio à tona após sentença da Justiça de Goiás, que condenou o empresário do ramo de fotocópias José Edvarde de Lima Filho e o líder da facção André Luiz Oliveira Lima por participação em um esquema que movimentou cerca de R$ 500 milhões. As informações são da TV Anhanguera.

Uma das clientes afetadas relatou ter sido surpreendida ao ser chamada pela polícia para prestar esclarecimentos, após seus documentos aparecerem em transações que estavam sendo investigadas.

Conforme os autos , as cópias haviam sido feitas meses antes, durante um atendimento comum na copiadora.

A investigação teve início após a deflagração da Operação Red Bank, que permitiu mapear o caminho do dinheiro e identificar integrantes do alto escalão da organização criminosa em Goiás.

Para dificultar a fiscalização, o grupo utilizava empresas de fachada e a prática conhecida como “smurfing”, que divide grandes valores em múltiplas transações menores para evitar alertas do sistema financeiro.

Na sentença, a juíza Placidina Pires destacou que André Luiz Oliveira Lima só foi julgado agora porque estava custodiado em presídio federal de segurança máxima em Catanduvas (PR).

Ele foi condenado a 11 anos, 4 meses e 20 dias de prisão em regime fechado. Já José Edvarde de Lima Filho recebeu pena de sete anos e seis meses, também em regime fechado.

Além das penas, a Justiça determinou que ambos paguem, de forma solidária, indenização de R$ 500 milhões por danos morais coletivos, em razão do impacto social do esquema.

Durante as investigações, foram apreendidos cerca de R$ 2 milhões em dinheiro vivo e 25 carros de luxo, incluindo modelos como Ferrari e Mustang, muitos registrados em nome de terceiros.

Atualmente, André Luiz permanece preso por outros processos criminais, enquanto o empresário responde em liberdade até a decisão do processo.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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