O que a falta de sono causa no corpo? Veja os riscos à saúde
Especialistas alertam para os impactos silenciosos da privação de sono
Uma noite mal dormida já é suficiente para transformar tarefas simples em grandes desafios. Falta de concentração, irritação e cansaço extremo costumam aparecer logo no dia seguinte. O problema é que, quando a privação de sono se repete com frequência, os efeitos deixam de ser passageiros e passam a comprometer seriamente a saúde.
O sono desempenha um papel essencial no equilíbrio do organismo. É durante o descanso que o corpo regula hormônios, fortalece o sistema cardiovascular, organiza memórias e recupera funções cognitivas.
Dormir bem reduz o estresse, protege o coração, ajuda no controle do peso e diminui o risco de doenças crônicas, como diabetes, pressão alta e AVC.
A necessidade de sono varia conforme a idade. Recém-nascidos podem precisar de até 17 horas por dia, enquanto crianças pequenas e adolescentes demandam longos períodos de descanso para o desenvolvimento físico e mental.
Na vida adulta, a recomendação gira entre 7 e 9 horas por noite, diminuindo levemente após os 65 anos. Dormir menos do que isso de forma contínua pode gerar consequências importantes.
Uma das primeiras áreas afetadas é a memória. Durante fases específicas do sono, o cérebro consolida informações e transforma experiências recentes em lembranças duradouras.
Quando esse processo é interrompido, a capacidade de aprender, lembrar e se concentrar fica prejudicada.
A privação de sono também compromete o controle cognitivo, responsável por organizar pensamentos, emoções e comportamentos.
Isso explica por que pessoas que dormem pouco tendem a ser mais impulsivas, menos pacientes e mais propensas a erros no trabalho e no trânsito.
No campo metabólico, dormir mal altera o funcionamento hormonal. A desregulação de substâncias que controlam a fome e a saciedade aumenta o apetite e favorece o ganho de peso, além de reduzir a sensibilidade à insulina.
Esse desequilíbrio eleva o risco de obesidade e diabetes tipo 2, especialmente quando a falta de sono se torna crônica.
O sistema cardiovascular também sofre. Estudos indicam que pessoas que dormem quatro horas ou menos por noite têm probabilidade significativamente maior de desenvolver pressão alta, principalmente mulheres e adultos jovens.
A longo prazo, o sono insuficiente contribui para inflamações, alterações no sistema nervoso autônomo e maior desgaste dos vasos sanguíneos.
Esses fatores ajudam a explicar a relação entre privação de sono e AVC. Pessoas que dormem pouco apresentam cerca de 18% mais risco de sofrer um derrame, resultado de alterações no metabolismo, no colesterol e na pressão arterial. O mesmo vale para outras doenças cardíacas, como o infarto.
Os impactos também atingem a saúde mental. Dormir mal aumenta a irritabilidade, dificulta o controle emocional e intensifica quadros de ansiedade.
A privação de sono prolongada pode contribuir para o desenvolvimento de depressão, além de prejudicar a convivência social e a capacidade de lidar com frustrações.
Outro alerta importante envolve o cérebro a longo prazo. Pesquisas que acompanharam milhares de pessoas por anos apontaram uma associação entre falta de sono e maior risco de demência.
Especialistas acreditam que o sono ajuda a eliminar proteínas nocivas do cérebro, cujo acúmulo está ligado ao Alzheimer.
Para melhorar a qualidade do descanso, algumas medidas simples fazem diferença: manter horários regulares para dormir e acordar, evitar telas antes de deitar, criar um ambiente silencioso e confortável, reduzir o consumo de cafeína à noite e adotar hábitos saudáveis ao longo do dia.
Quando a dificuldade para dormir se torna frequente ou afeta a rotina, o ideal é buscar orientação médica.
Distúrbios como insônia, apneia do sono e narcolepsia podem estar por trás do problema e exigem acompanhamento específico.
Dormir bem não é luxo — é uma necessidade básica para manter o corpo e a mente funcionando em equilíbrio.
Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!






