Enquanto a Geração Z trava, tem um grupo avançando: essa é a nova “idade do mercado”, segundo recrutadores

Recrutadores voltam o olhar para profissionais com mais de 55 anos, mas o grupo enfrenta alguns problemas na volta ao trabalho

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Enquanto a Geração Z trava, tem um grupo avançando: essa é a nova “idade do mercado”, segundo recrutadores
(Foto: Reprodução/Roberto Polo/Pexels)

Enquanto a Geração Z estampa manchetes por dificuldades de adaptação e crises de produtividade, uma mudança demográfica silenciosa altera o eixo do mercado.

Profissionais com mais de 55 anos estão se tornando o novo centro das discussões sobre sustentabilidade econômica e previdenciária.

Pela primeira vez na história recente, o desemprego entre as pessoas mais maduras começou a superar a faixa dos adultos jovens.

Essa inversão de padrões históricos acontece justamente quando o mundo clama para que as pessoas trabalhem por mais tempo.

O fenômeno revela um paradoxo cruel entre a necessidade de experiência e a resistência das empresas em contratar talentos sêniores.

O mercado agora encara o desafio de reintegrar essa força de trabalho que, embora disponível, enfrenta barreiras invisíveis.

A inversão histórica nas taxas de desocupação

Historicamente, trabalhadores com 55 anos ou mais apresentavam as menores taxas de desemprego em comparação aos mais jovens. Em 1994, por exemplo, a diferença era de quase dez pontos percentuais a favor dos mais velhos.

Essa vantagem competitiva desapareceu em 2023, consolidando uma tendência preocupante para o ano de 2026.

Estudos apontam que a taxa de desocupação para este grupo agora é maior do que a média dos adultos entre 25 e 54 anos.

A situação ocorre mesmo em cenários de melhora geral na economia e na criação de novas vagas. Mais pessoas estão sendo contratadas pelas empresas, mas os profissionais maduros parecem ter ficado para trás na fila de oportunidades.

O drama do desemprego de longa duração

O maior problema para quem passou dos 55 anos não é apenas perder o emprego, mas a dificuldade extrema em retornar.

Quase 60% dos desempregados nessa faixa etária estão há mais de um ano sem conseguir uma nova colocação.

Esse índice é drasticamente superior ao registrado entre os jovens e adultos de meia-idade.

A reintegração tornou-se um processo complexo, marcado por menos oportunidades e um tempo de espera que consome as economias familiares.

Estatísticas indicam que a recolocação para o profissional sênior exige uma persistência que muitos não conseguem manter. O mercado acaba perdendo um capital intelectual valioso enquanto o grupo enfrenta a ociosidade forçada.

Muitos desses trabalhadores buscam desesperadamente voltar ao mercado para garantir a futura aposentadoria.

No entanto, o hiato entre a qualificação oferecida e o que as empresas buscam parece estar aumentando.

O retorno amargo: salários menores e cargos básicos

Quando finalmente conseguem uma nova vaga, esses profissionais se deparam com uma realidade financeira chocante.

Ao ingressarem em novas empresas, o salário médio chega a cair mais de 50% em comparação ao que ganhavam anteriormente.

Além da perda salarial, o nível de responsabilidade também costuma sofrer um rebaixamento significativo. Muitos executivos e gerentes experientes acabam sendo contratados para funções de nível inicial ou operacional.

A precariedade se manifesta também nos modelos de contratação, com o aumento de vínculos temporários ou intermitentes.

Essa situação gera um sentimento de insatisfação e a constante busca por uma ocupação que condiga com a trajetória vivida.

O mercado de 2026 exige uma nova mentalidade para aproveitar o potencial dessa “geração prateada”.

Sem políticas de inclusão geracional, o desperdício de talentos continuará sendo um dos maiores gargalos da economia moderna.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiário do Portal 6.

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