Filha que cuidava sozinha da mãe de 84 anos precisou ir na Justiça para ter ajuda dos irmãos, em Valparaíso de Goiás
Idosa tem dez filhos, mas atualmente reside apenas com uma, que sozinha é a principal responsável pelos cuidados

Você provavelmente já ouviu o ditado “Uma mãe cria dez filhos, mas dez filhos não criam uma mãe”, não é mesmo? Pois um caso real ocorrido em Valparaíso de Goiás, na região do Entorno do Distrito Federal, serve como prova desse conhecimento popular.
Uma idosa, de 87 anos, e uma das filhas, de 59, precisaram recorrer à Justiça para que os outros nove filhos ajudassem financeiramente com a compra de remédios e alimentos.
A senhora, que não teve o nome revelado, é diagnosticada com Alzheimer em estágio 4. Ela é mãe de dez filhos, mas atualmente reside apenas com uma, que sozinha é a principal responsável pelos cuidados da idosa.
Além do Alzheimer em estágio avançado, ela também possui diagnóstico de osteoporose e transtorno de personalidade histriônico. Com o quadro clínico delicado, a senhora já vive há quase sete anos acamada, o que exige cuidados permanentes.
A filha cuidadora, que está na terceira idade, também enfrenta problemas de saúde. Ela está em tratamento contra um câncer de mama e relatou dificuldades para comparecer às consultas. A sobrecarga física e emocional, acumulada ao longo dos anos, tem impactado diretamente a saúde e bem-estar.
“Eu não tenho um momento para cuidar de mim. Como eu sou uma paciente que teve um câncer de mama, estágio 2, eu larguei meu tratamento, minha vida social, meu esposo, meu filho e me dediquei à minha mãe. São sete anos de dedicação, de cansaço mental e físico”, desabafou.
Recorreram à Justiça
Para cobrar apoio dos irmãos, a filha decidiu buscar ajuda na Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO), na unidade de Valparaíso. Eu tive coragem e fui buscar ajuda na Defensoria. Muita gente me incentivou e sonhou com essa decisão tanto quanto eu”, disse.
Por meio da Defensoria Pública, elas ingressaram com um pedido na Justiça para que os irmãos fornecessem alimentos provisórios, e que todas as outras responsabilidades fossem divididas de modo justo entre os filhos.
Segundo a defensora pública Ketlyn Chaves, titular da 1ª Defensoria Pública Especializada de Atendimento Inicial Cível de Valparaíso de Goiás, “as circunstâncias apontam a sobrecarga física e emocional da filha cuidadora, visto que os nove irmãos se mantêm omissos, inclusive, com registros de conflitos familiares”.
Na Justiça, mãe e filha conseguiram o que tanto sonhavam. O juízo reconheceu as necessidades de ambas, e determinou que os demais filhos repassem, juntos, o valor mensal de R$ 4.554,00 para garantir os cuidados com a idosa.
“Quando eu recebi a notícia da decisão, eu fiquei muito alegre e acredito que já estou mais perto do que longe de conseguir. Eu não quero ser essa heroína, eu quero viver um pouco para mim, curtir um pouco do tempo que me resta e poder ver o mundo”, finalizou a filha.
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