Empresa divide opiniões ao anunciar duas folgas na semana como benefício

Proposta divulgada como benefício reacende discussão sobre escala 6x1 e modelo 5x2 no Brasil

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Empresa divide opiniões ao anunciar duas folgas por semana como benefício
(Foto: Reprodução/Reddit)

Um anúncio de vaga de emprego acabou virando assunto nas redes sociais depois que uma empresa passou a divulgar duas folgas por semana como um dos principais atrativos para contratar novos funcionários.

A promessa, estampada em um banner de recrutamento, chamou atenção por soar, ao mesmo tempo, como avanço para alguns e “o mínimo” para outros — e o debate ganhou força com um vídeo que circula mostrando a propaganda.

Na peça divulgada, a empresa convida interessados a “trabalhar com a gente” e destaca o benefício: “2 folgas por semana”.

A mensagem, porém, não detalha como seria a escala, o que abriu espaço para especulações e opiniões diferentes sobre o que, de fato, está sendo oferecido.

Por que o anúncio gerou discussão?

No Brasil, muitos trabalhadores do comércio e de serviços estão habituados à escala 6×1 — seis dias trabalhados para um de descanso.

Por isso, a ideia de uma rotina com duas folgas semanais pode parecer, para parte do público, um sinal de melhora nas condições de trabalho e de maior preocupação com a qualidade de vida.

Ao mesmo tempo, muita gente reagiu com ironia, argumentando que duas folgas se aproximam do modelo 5×2, comum em diversos setores, e que “benefício” deveria ser algo além do descanso semanal — como salário competitivo, plano de carreira, vale-alimentação robusto, plano de saúde ou jornada mais humanizada. O problema não é somente a escala, mas também as condições de trabalho.

Houve também quem questionasse se as duas folgas seriam fixas, alternadas ou condicionadas a metas e banco de horas.

A legislação trabalhista prevê o descanso semanal remunerado, geralmente de 24 horas consecutivas, mas não determina, de forma geral, que todos tenham dois dias de folga por semana.

Na prática, isso faz com que algumas empresas usem a oferta de uma escala com mais descanso como diferencial de atração — especialmente em áreas com alta rotatividade e dificuldade de contratação.

A repercussão também evidencia uma mudança no olhar de parte dos trabalhadores, principalmente os mais jovens, sobre o que é aceitável como rotina.

Para uns, a folga extra representa um passo importante para reduzir o desgaste físico e mental. Para outros, tratar isso como “benefício” escancara como jornadas puxadas ainda são normalizadas em alguns setores.

No fim, o anúncio que parecia simples virou combustível para uma discussão maior: o que é benefício de verdade — e o que deveria ser padrão quando o assunto é jornada e bem-estar no trabalho.

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Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

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