Advogada ensina como fazer doação de imóvel para os filhos e evitar inventário
Estratégia de planejamento sucessório permite transferir imóvel ainda em vida, com cláusulas jurídicas que garantem proteção e evitam inventário sobre o bem

Muitas famílias acreditam que a única forma de transferir um imóvel para os filhos acontece depois da morte dos pais, por meio de inventário. No entanto, o direito sucessório permite outra estratégia: a doação em vida com cláusulas de proteção.
Essa alternativa faz parte do chamado planejamento sucessório, que organiza a transferência do patrimônio ainda em vida. Dessa forma, a família reduz conflitos e simplifica processos futuros.
Segundo a advogada Simone Calili, especialista em herança e patrimônio, essa estratégia ajuda a proteger os bens e traz mais segurança jurídica para os herdeiros.
A especialista compartilhou essas orientações em conteúdos informativos nas redes sociais. Mais informações aparecem no Instagram @simonecaliliadv.
Como funciona a doação de imóvel em vida
Para realizar a doação de um imóvel, os proprietários precisam seguir algumas etapas legais.
Primeiramente, os pais devem fazer uma escritura pública de doação em um cartório de notas. Em seguida, o documento precisa indicar claramente quem receberá o bem, chamado juridicamente de donatário.
Depois disso, o registro do documento deve ocorrer no cartório de registro de imóveis. Somente após esse registro a transferência passa a ter validade legal.
Assim, a família formaliza a transferência do imóvel com segurança jurídica.
Usufruto vitalício permite que pais continuem usando o imóvel
Além da doação, muitas famílias utilizam a cláusula de usufruto vitalício.
Essa cláusula permite que os pais continuem morando no imóvel ou utilizando o bem normalmente enquanto estiverem vivos. Portanto, mesmo após a transferência da propriedade, eles mantêm o direito de uso.
Consequentemente, os filhos recebem a propriedade do imóvel, mas os pais preservam o direito de moradia ou utilização.
Cláusulas podem proteger o patrimônio familiar
Além do usufruto, advogados recomendam incluir outras cláusulas de proteção no documento de doação.
Entre as mais comuns estão:
- Cláusula de incomunicabilidade: impede que o imóvel entre na divisão de bens em caso de divórcio do filho.
- Cláusula de inalienabilidade: impede que o imóvel seja vendido sem determinadas condições ou autorizações.
Dessa forma, a família preserva o patrimônio e evita que o imóvel seja transferido sem planejamento.
Planejamento sucessório exige orientação jurídica
Apesar das vantagens, a doação de imóvel exige estrutura jurídica adequada.
Quando a família realiza o processo sem planejamento, podem surgir conflitos familiares ou questionamentos judiciais. Em alguns casos, inclusive, herdeiros podem contestar a doação durante o inventário.
Por isso, especialistas recomendam analisar cada situação com orientação jurídica antes de formalizar a transferência do bem.
Segundo Simone Calili, o planejamento patrimonial não envolve apenas transferir um imóvel. Além disso, ele exige análise de cenários futuros e organização do patrimônio familiar.
As orientações foram divulgadas pela advogada Simone Calili, especialista em herança e patrimônio, que publica conteúdos educativos sobre inventário e partilha de bens no Instagram @simonecaliliadv.
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