Conheça a planta resistente que alimentou povos no deserto por milênios e hoje quase ninguém usa

Rico em proteína e altamente resistente ao calor e à seca, planta volta a despertar interesse em meio aos desafios da agricultura em um clima cada vez mais extremo

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Planta resistente que alimentou povos no deserto por milênios e hoje quase ninguém usa
(Imagem: Ilustração/Captura de tela/YouTube/Rey Cotto)

Durante milhares de anos, comunidades que viviam em regiões áridas dependeram de uma planta altamente adaptada ao calor extremo e à escassez de água para sobreviver.

Entre essas culturas está o feijão tepari (Phaseolus acutifolius), uma leguminosa que prospera em ambientes onde muitas outras plantas não conseguem se desenvolver.

Originário de áreas desérticas do norte do México e do sudoeste dos Estados Unidos, o feijão tepari se destaca por sua extraordinária resistência climática.

Estudos indicam que a planta consegue produzir mesmo sob temperaturas próximas de 48 °C e com pouca disponibilidade de água — características que a tornam especialmente relevantes em um cenário de mudanças climáticas.

Além da adaptação ambiental, o grão também chama a atenção pelo valor nutricional. O feijão tepari apresenta cerca de 25 gramas de proteína a cada 100 gramas do grão seco, além de fibras e minerais como ferro, magnésio e potássio.

Por isso, ele é considerado uma importante fonte de proteína vegetal, contribuindo para dietas com menor teor de gordura saturada e sem colesterol.

Em comunidades com acesso limitado à proteína animal, o grão pode desempenhar papel importante na alimentação.

Ele pode ser utilizado em sopas, ensopados, farinhas e diversos pratos tradicionais, ampliando a diversidade de preparos à base de plantas.

Do ponto de vista agrícola, o feijão tepari também contribui para a saúde do solo. Como outras leguminosas, ele fixa nitrogênio por meio de bactérias associadas às raízes, enriquecendo a terra e reduzindo a necessidade de fertilizantes químicos.

Historicamente, essa cultura era cultivada em consórcio com outras plantas, como milho e abóboras, formando sistemas agrícolas diversificados que ajudavam a proteger o solo, melhorar o aproveitamento da água da chuva e reduzir riscos de perdas na produção.

Apesar dessas vantagens, o feijão tepari perdeu espaço com a expansão da agricultura mecanizada e das monoculturas modernas.

Cultivos como milho, trigo e soja passaram a receber maior apoio de políticas públicas, linhas de crédito e programas de pesquisa, pois se adaptavam melhor aos modelos industriais de produção.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Para mais informações, incluindo como configurar as permissões dos cookies, consulte a nossa nova Política de Privacidade.