Após placa contra petistas, Frigorífico Goiás é acionado e pode ter que pagar R$ 500 mil em indenização

IBEDEC, que move o processo, sustenta que "tratamento hostil e excludente contra consumidores com base em suas convicções político-partidárias"

Davi Galvão Davi Galvão -
Frigorífico voltou a se envolver em polêmica após dizer que "petista não é bem vindo".
Frigorífico voltou a se envolver em polêmica após dizer que “petista não é bem vindo”. (Foto: Reprodução/Redes Sociais)

O Frigorífico Goiás, que se tornou nacionalmente conhecido após fixar cartazes como “Petista aqui não é bem vindo” e “camarão GG: maior que cérebro de petista”, enfrenta agora uma nova Ação Civil Pública com pedido de indenização de R$ 500 mil por danos morais coletivos.

O processo, movido pelo Instituto Brasileiro de Estudo e Defesa das Relações de Consumo (IBEDEC/GO), aponta que o estabelecimento mantém uma postura de “tratamento hostil e excludente contra consumidores com base em suas convicções político-partidárias”.

A petição, protocolada ainda em março, sustenta que a empresa é reincidente em práticas discriminatórias.

O histórico de irregularidades inclui uma condenação anterior, em 2025, na qual o comércio foi sentenciado a pagar R$ 130 mil por publicidade abusiva.

Na nova ação, o IBEDEC/GO destaca que, mesmo após a punição judicial, o réu seguiu veiculando propagandas agressivas, como o anúncio de uma “Picanha de petista”.

Um vídeo publicado nas redes sociais da empresa também fundamenta o pedido. Nas imagens, o influenciador Danilo Faria aparece com o que parece ser uma arma na cintura dentro do frigorífico e faz gestos obscenos. A legenda da publicação questiona: “Você já humilhou um petista hoje?”.

Diante disso, a entidade solicita uma tutela de urgência para a retirada do conteúdo em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 10 mil.

Danilo Faria se manifestou na internet, afirmando estar indignado e alegando ser vítima de perseguição junto ao dono do local.

Violação de princípios constitucionais

O IBEDEC/GO argumenta que as ações do frigorífico não se limitam à liberdade de expressão, mas configuram uma estratégia comercial deliberada de segmentação de mercado por meio da hostilidade.

Segundo o instituto, a prática atenta contra o Código de Defesa do Consumidor e princípios da dignidade da pessoa humana e da isonomia.

O embate jurídico começou em setembro de 2025, quando o primeiro cartaz de cunho político foi exposto na entrada da loja.

Após intervenção do Ministério Público de Goiás (MPGO) e ordem judicial para remoção, o estabelecimento tentou burlar a decisão com novas frases agressivas, como “Bandido aqui não é bem-vindo, e nem quem vota em bandido”.

A sentença destacou que a conduta do frigorífico violou o pluralismo político e as normas que regem as relações de consumo no país. Cabe recurso das decisões proferidas.

Em nota, enviada ao O Popular, a defesa do estabelecimento afirmou que aind anão foi notificada da nova ação e que, tão logo haja comunicação oficial, as medidas cabíveis serão adotadas.

 

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Davi Galvão

Davi Galvão

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua como repórter no Portal 6, com base em Anápolis, mas atento aos principais acontecimentos do cotidiano em todo o estado de Goiás. Produz reportagens que informam, orientam e traduzem os fatos que impactam diretamente a vida da população.

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