Entenda por que empresas brasileiras estão transferindo produção para o Paraguai
Impostos menores e menos encargos explicam a ida de empresas brasileiras para produzir no Paraguai

Em meio a discussões sobre impostos, empregos e competitividade, um movimento silencioso tem chamado a atenção de empresários e especialistas: cada vez mais companhias brasileiras estão olhando para um país vizinho como alternativa para produzir com custos menores.
O destino é o Paraguai, que passou a atrair indústrias de diferentes setores por meio de regras tributárias mais simples, incentivos à exportação e encargos trabalhistas considerados mais leves do que os praticados no Brasil.
Segundo levantamento publicado pelo Poder360, 232 empresas brasileiras já produzem no Paraguai dentro do chamado regime de maquila.
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O que é o regime de maquila
A Lei de Maquila permite que empresas estrangeiras instalem operações no Paraguai voltadas à exportação. Na prática, essas companhias conseguem importar máquinas e matérias-primas com benefícios fiscais e pagam apenas 1% sobre o valor agregado exportado.
Esse modelo tem sido um dos principais atrativos para negócios brasileiros que buscam reduzir custos e ampliar a margem de competitividade.
Diferença de custos pesa na decisão
O ponto central está na comparação com o Brasil. Enquanto fábricas sob o regime paraguaio pagam, em média, cerca de 12% entre impostos e encargos trabalhistas, no Brasil esse custo pode chegar a 80%, conforme dados citados pela reportagem.
Além disso, o Paraguai oferece um sistema tributário mais simples, conhecido como “triplo 10”: 10% de Imposto de Renda empresarial, 10% de Imposto de Renda pessoal e 10% de IVA.
Setor têxtil lidera movimento
Entre as maquiladoras brasileiras instaladas no Paraguai, o setor de confecção e tecidos aparece com maior presença. Também há empresas dos segmentos de plásticos, alumínio, alimentos, eletrônicos, farmacêuticos e autopeças.
Grandes marcas brasileiras e multinacionais com operação no Brasil já ampliaram ou iniciaram atividades no país vizinho, atraídas pela combinação de incentivos, menor burocracia e proximidade geográfica.
Impacto acende alerta no Brasil
O avanço desse movimento reacende o debate sobre o chamado “custo Brasil”. Para especialistas, a migração de parte da produção pode representar perda de empregos, investimentos e arrecadação no mercado brasileiro.
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