Testamento não garante tudo: regra da herança pode reduzir a parte deixada aos herdeiros e impedir que todos os bens sejam destinados conforme a vontade de quem morreu

Documento ajuda a organizar a sucessão, mas legislação brasileira estabelece limites para proteger parte do patrimônio de determinados familiares

Gustavo de Souza Gustavo de Souza -
Testamento não garante tudo: regra da herança pode reduzir a parte deixada aos herdeiros e impedir que todos os bens sejam destinados conforme a vontade de quem morreu
(Foto: Divulgação/TST)

Planejar a divisão dos bens antes da morte é uma das formas de evitar conflitos entre familiares, mas a elaboração de um testamento não permite escolher livremente o destino de todo o patrimônio. A legislação brasileira estabelece regras que precisam ser seguidas mesmo quando existe uma manifestação de vontade registrada em cartório.

A principal limitação envolve a chamada legítima, uma parcela da herança que a lei reserva a determinados familiares. Por isso, um testamento pode precisar ser ajustado caso ultrapasse os limites permitidos pelo Código Civil.

Herdeiros necessários têm parte garantida por lei

De acordo com os artigos 1.845 e 1.846 do Código Civil, são considerados herdeiros necessários os descendentes, os ascendentes e o cônjuge. Esses familiares têm direito à metade dos bens da herança, chamada de legítima.

Na prática, uma pessoa que possui filhos, pais ou cônjuge pode decidir livremente sobre apenas metade do patrimônio. A outra parte deve respeitar a divisão prevista na legislação.

A parcela que pode ser destinada conforme a vontade do autor do testamento é chamada de parte disponível. Nela, é possível beneficiar outras pessoas ou instituições, desde que os limites legais sejam respeitados.

Excesso no testamento pode ser reduzido

Quando um documento deixa mais bens do que a parte disponível permite, a consequência não é necessariamente a anulação de todo o testamento. A legislação prevê a redução das disposições testamentárias que ultrapassarem o limite permitido.

Esse mecanismo existe para preservar o direito dos herdeiros necessários e garantir que a chamada legítima seja mantida.

Além da divisão patrimonial, o testamento também pode registrar outras decisões relacionadas à sucessão, desde que estejam dentro das regras previstas pela legislação.

Planejamento ajuda a evitar conflitos

Embora tenha limitações, o testamento continua sendo uma ferramenta importante para organizar a transmissão de bens. O documento permite deixar definida a destinação da parte disponível e reduzir dúvidas entre familiares.

Especialistas em direito sucessório recomendam que o planejamento seja feito com orientação jurídica, considerando o patrimônio, a estrutura familiar e as regras previstas no Código Civil.

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Gustavo de Souza

Gustavo de Souza

Estudante de jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e repórter do Portal 6.

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