Com palha, sal a 540 °C e energia solar, China cria floresta em um dos desertos mais inóspitos do planeta

Projeto de longo prazo combina engenharia ambiental, energia limpa e técnicas simples para conter a areia e permitir o crescimento de vegetação em regiões extremas

Gabriel Yuri Souto Gabriel Yuri Souto -
Com palha, sal a 540 °C e energia solar, China cria floresta em um dos desertos mais inóspitos do planeta
(Imagem: Ilustração/IA)

Transformar um deserto em uma área capaz de sustentar vegetação parecia improvável até para os padrões da engenharia moderna.

Ainda assim, a China vem avançando nesse desafio ao aplicar um conjunto de soluções que une tecnologia de ponta e métodos simples, como o uso de palha no solo.

Em regiões áridas do país, onde a areia se move constantemente e a chuva é escassa, a primeira etapa do processo não envolve árvores, mas a estabilização do solo.

Para isso, fibras vegetais são distribuídas em padrões geométricos sobre a areia, reduzindo a força do vento e impedindo o deslocamento das dunas. Essa base cria condições mínimas para que o solo retenha umidade.

Com a areia controlada, entram em cena sistemas de energia solar em larga escala.

Além de gerar eletricidade limpa, os painéis ajudam a diminuir a temperatura do solo e a evaporação da água, criando um microambiente mais favorável ao desenvolvimento das plantas. A energia produzida sustenta sistemas de irrigação e infraestrutura em áreas isoladas.

Parte desse sistema energético utiliza sal fundido aquecido a cerca de 540 °C, tecnologia comum em usinas solares térmicas.

O sal funciona como meio de armazenamento de calor, permitindo que a energia gerada durante o dia continue disponível à noite, garantindo estabilidade para o funcionamento contínuo do projeto.

Somente após essas etapas começa o plantio de espécies resistentes à seca, escolhidas para suportar temperaturas extremas e pouca água.

Com o tempo, essas plantas ajudam a melhorar a qualidade do solo, criando um ciclo que favorece o surgimento de novas áreas verdes.

O resultado não é uma floresta densa criada de forma imediata, mas um processo gradual de recuperação ambiental, capaz de reduzir tempestades de areia, proteger infraestruturas e devolver vida a áreas antes consideradas improdutivas.

A iniciativa faz parte de um esforço nacional de décadas para conter a desertificação e proteger regiões habitadas do avanço dos desertos.

Mais do que um experimento pontual, o projeto mostra como soluções simples, quando combinadas com tecnologia, podem mudar paisagens inteiras ao longo do tempo.

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Gabriel Yuri Souto

Gabriel Yuri Souto

Redator e gestor de tráfego. Especialista em SEO.

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