Clássico de Minas: feijão tropeiro simples para fazer em casa
Prato tradicional mineiro une sustança, história e sabor marcante em uma receita que atravessa gerações

Poucos pratos representam tão bem a culinária brasileira quanto o feijão tropeiro. Logo na primeira garfada, ele entrega sabor intenso, textura marcante e aquela sensação de comida feita para reunir gente em volta da mesa.
Nascido em Minas Gerais, o prato conquistou o país ao combinar ingredientes simples de forma poderosa: feijão cozido no ponto certo, linguiças, torresmo crocante, farinha de mandioca e couve refogada.
A origem do tropeiro remonta ao período em que viajantes cruzavam longas distâncias pelo interior do Brasil transportando mercadorias. Precisando de refeições práticas, nutritivas e fáceis de conservar, os tropeiros passaram a misturar alimentos resistentes ao tempo e ao calor. Assim surgiu um prato forte, completo e ideal para sustentar jornadas inteiras.
Com o passar dos anos, o feijão tropeiro deixou de ser apenas comida de estrada e se tornou símbolo da identidade mineira. Em Belo Horizonte, por exemplo, é presença garantida em botecos tradicionais, restaurantes familiares e até nos estádios de futebol, quase sempre acompanhado de arroz branco, couve, ovo e mais torresmo.
Apesar de ter uma base bem definida, o prato admite variações. Há quem prefira o tropeiro mais úmido, outros mais sequinho; alguns acrescentam ovos mexidos, outros capricham na pimenta ou escolhem combinações diferentes de linguiça. O segredo está em respeitar a essência: equilíbrio entre feijão, carnes, gordura e farinha.
A seguir, uma receita tradicional de feijão tropeiro mineiro, perfeita para quem quer levar o sabor do interior de Minas direto para a cozinha de casa.
Ingredientes
– 500 g de toucinho em tiras
– 500 g de feijão roxinho ou carioca (de molho)
– 2 folhas de louro
– 1/2 gomo de linguiça calabresa
– 1/2 gomo de linguiça portuguesa
– 1/2 gomo de linguiça paio
– 250 g de linguiça de pernil
– 200 g de bacon magro
– 2 cabeças de alho amassadas
– 2 cebolas picadas
– 350 g de farinha de mandioca torrada
– 7 folhas de couve manteiga fatiadas finamente
– 4 ovos
– Sal e pimenta-do-reino a gosto
Modo de preparo
Comece levando o toucinho ao fogo médio com uma pitada generosa de sal, mexendo de tempos em tempos até soltar bastante gordura. Quando os pedaços começarem a estourar, desligue o fogo, separe a banha dos torresmos e leve ambos para gelar por pelo menos uma hora.
Enquanto isso, cozinhe o feijão na panela de pressão com as folhas de louro e água suficiente para cobrir os grãos. Após pegar pressão, conte cerca de 10 minutos. Escorra o caldo, reserve para outro uso e leve os grãos à geladeira.
Para o torresmo, aqueça parte da banha já solidificada e frite os pedaços de toucinho até ficarem bem pururucados. Retire e deixe escorrer em papel-toalha. Na mesma gordura, frite a linguiça de pernil até dourar e reserve.
Em outra panela grande, aqueça um pouco da banha e frite o paio, a calabresa, a linguiça portuguesa e o bacon até dourarem e formarem uma leve crosta no fundo. Retire as carnes, refogue a cebola e o alho na mesma panela até ficarem dourados e, em seguida, acrescente o feijão.
Volte as carnes para a panela, misture delicadamente, acrescente a couve e, logo depois, a farinha de mandioca junto com parte do torresmo. Misture bem e desligue o fogo.
À parte, prepare os ovos mexidos em um pouco de banha ou manteiga, ajustando o ponto conforme sua preferência. Incorpore os ovos ao feijão, ajuste o sal e a pimenta e finalize com o restante do torresmo por cima.
Sirva ainda quente e aproveite um dos pratos mais emblemáticos da cozinha mineira, capaz de transformar qualquer refeição em um verdadeiro encontro de sabores e histórias.
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