Advogada é presa dentro de escritório após postagem nas redes sociais, em Cocalzinho de Goiás
Motivação teria sido uma crítica da profissional ao delegado do município. Presidente da OAB diz que tomará "todas as medidas cabíveis"

Uma advogada de Cocalzinho de Goiás denunciou ter sido presa dentro do próprio escritório após uma publicação nas redes sociais, na tarde da última quarta-feira (15).
Conforme apurado pelo Portal 6, a detenção ocorreu após a advogada Aricka Cunha publicar nas redes sociais um despacho de arquivamento de ocorrência policial, assinado pelo delegado Christian Zilmon Mata dos Santos.
O documento em questão apontava o arquivamento de um boletim de ocorrência no qual Aricka denunciava ter sido ofendida por um funcionário público do município, sendo chamada de “loira idiota” no Instagram.
Para o delegado, a denúncia da advogada não apresentou fatos não se enquadrariam em crime, motivo pelo qual foi arquivada. Além disso, o despacho também cita a necessidade de maior efetivo policial.

Imagens publicadas no Instagram pessoal de Aricka não fazem menção direta ao delegado (Imagens: Reprodução/Instagram)
Suposta difamação
Após Aricka criticar o arquivamento, o delegado Christian Zilmon alegou ter sido ofendido com o conteúdo divulgado. Diante disso, ele deu voz de prisão imediata à advogada, sob acusação de difamação.
A prisão ocorreu dentro do próprio escritório da profissional e foi filmada. Ela foi conduzida a uma delegacia e permaneceu detida até aproximadamente 22h de quarta-feira. A liberação ocorreu após o pagamento de fiança no valor de R$ 10 mil.
Pelas redes sociais, a advogada repudiou a prisão, a qual considerou ilegal.
“Uma advogada, dentro do seu escritório, no exercício da profissão, sendo algemada por expressar opinião. Isso não é normal. Isso não é legal. Isso não pode ser aceito”, disse no Instagram.
“O Estatuto da Advocacia garante a inviolabilidade do escritório. Mas, na prática, o que vimos foi o desrespeito sendo executado à luz do dia”, completou ela.
OAB reage à prisão
A reportagem entrou em contato com a Gerência de Comunicação da Polícia Civil de Goiás, solicitando posicionamento sobre os fatos. Em resposta, o órgão disse que o caso já foi levado à Superintendência de Correições e Disciplina da PCGO para apuração. (confira a nota ao final da reportagem)
Já a Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) informou ter determinado a abertura de procedimentos para apurar a conduta do delegado.
A OAB-GO também afirmou que a prisão foi arbitrária e que formalizará representação por crime de abuso de autoridade junto à Procuradoria-Geral de Justiça.
Confira a nota da OAB-GO na íntegra
O Sistema de Defesa das Prerrogativas (SDP) da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Goiás (OAB-GO) determinou a imediata instauração de procedimentos contra o delegado de Polícia Civil Christian Zilmon Mata dos Santos, após a prisão considerada arbitrária de advogada, no município de Pirenópolis.
A decisão, formalizada pela Portaria n.º 05/2026, foi assinada na manhã desta quinta-feira, dia 16 de abril, pelo presidente do SDP, Alexandre Carlos Magno Mendes Pimentel. O documento detalha uma série de violações que ferem não apenas o Estatuto da Advocacia (EAOAB – Lei Federal n.º 8.906/94), como também os direitos fundamentais da profissional.
Diante da gravidade dos fatos, o SDP determinou:
– Formalização imediata de representação por crime de abuso de autoridade junto ao procurador-geral de Justiça;
– Acionamento da Corregedoria-Geral da Polícia Civil e da Secretaria de Segurança Pública para apuração de conduta;
– Publicação de posicionamento oficial contra o ato do delegado.
Além dessas medidas, a Procuradoria de Prerrogativas já atua nos autos do processo (nº 5332342-23.2026.8.09.0177) para requerer a nulidade absoluta do Auto de Prisão em Flagrante (APF). Também será feita a coleta de depoimentos de testemunhas por meio de videoconferência para instruir o procedimento interno. “Iremos continuar acompanhando o caso até que todas as responsabilidades sejam apuradas”, acrescenta Alexandre.
Confira a nota da PCGO na íntegra
A Polícia Civil de Goiás informa que o fato foi levado ao conhecimento da Superintendência de Correições e Disciplina da PCGO, que está tomando as providências necessárias para a escorreita apuração do ocorrido.
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