“Nunca tinham visto isso”: após 46 anos sem nome da mãe na certidão, goiano corrige erro que o acompanhou a vida toda

Morador de Luziânia passou quase cinco décadas com uma falha documental que gerou constrangimentos em diferentes situações

Lara Duarte Lara Duarte -
Roberto da Silva Alves Ramalho e a mãe, Helenilda Maria da Conceição Silva, regularizaram o registro civil após 46 anos de ausência do nome materno na certidão de nascimento. (Foto: Gustavo Burns/Dicom/DPE-GO)
Roberto da Silva Alves Ramalho e a mãe, Helenilda Maria da Conceição Silva, regularizaram o registro civil após 46 anos de ausência do nome materno na certidão de nascimento. (Foto: Gustavo Burns/Dicom/DPE-GO)

Durante 46 anos, Roberto da Silva Alves Ramalho conviveu com uma situação incomum. Sua certidão de nascimento não trazia o nome da própria mãe.

Embora tenha sido criado por Helenilda Maria da Conceição Silva, o documento registrava apenas o nome do pai, deixando em branco o campo destinado à maternidade.

A ausência no registro acompanhou Roberto por toda a vida e gerou constrangimentos em diferentes situações.

O problema só foi descoberto de forma mais evidente quando ele foi registrar o nascimento do próprio filho, de sete anos.

“Quando fui pegar o registro de nascimento do meu filho, perceberam que eu não tinha o nome da minha mãe. Me disseram que nunca tinham visto isso. Tinham visto sem pai, mas nunca sem mãe”, relatou.

O erro permaneceu desde 1979, ano em que Roberto nasceu. Na época, Helenilda vivia em união com o pai dele, mas ainda permanecia oficialmente casada com um antigo companheiro.

Embora a Lei do Divórcio já estivesse em vigor desde 1977, a separação formal ainda enfrentava forte resistência social, o que acabou refletindo no registro da criança.

Somente em 2025, mãe e filho procuraram a Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO), durante uma edição do programa Meu Pai Tem Nome, realizada em Luziânia, para corrigir a situação.

Após o reconhecimento da maternidade, Helenilda comemorou a correção.

“É muito importante esse reconhecimento. Eu o carreguei por nove meses na barriga. Sempre que ele ia resolver alguma coisa, perguntavam se ele não tinha mãe. Meu filho tem pai, tem mãe, e eu digo com o maior orgulho que sou a mãe dele. Eu amo meu filho”, afirmou emocionada.

Programa amplia reconhecimento familiar

A iniciativa da Defensoria Pública busca garantir o direito à identidade e ao pertencimento familiar, permitindo o reconhecimento da filiação e o acesso aos direitos decorrentes desse vínculo.

Em Goiás, o Dia D do programa será realizado em 1º de agosto, nas unidades da Defensoria em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Trindade, Inhumas, Luziânia, Valparaíso de Goiás e Águas Lindas de Goiás.

Já em Anápolis, o atendimento está marcado para 15 de agosto.

Além do reconhecimento de filiação, a edição deste ano contará com parceria do Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO), oferecendo também emissão de segunda via de certidões e mediação de conflitos familiares, como divórcio, dissolução de união estável, guarda, convivência e pensão alimentícia.

Nos municípios participantes, havendo consenso entre os envolvidos e preenchidos os requisitos legais, alguns procedimentos poderão ser concluídos no próprio dia. Nas demais regiões do estado, o atendimento ocorrerá por videoconferência.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Lara Duarte

Lara Duarte

Jornalista e pós-graduanda em Ciência Política, com atuação em jornal impresso, assessoria de comunicação e produção, reunindo experiência em diferentes frentes da comunicação.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias