Prefeitura investiga “farra dos atestados” após quase 60% dos servidores se afastarem em Anápolis

Folha salarial da Administração Municipal gira em torno de R$ 54 milhões por mês, sendo que cerca de R$ 27 milhões foram destinados a colaboradores por licença médica

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Prefeitura investiga "farra dos atestados" após quase 60% dos servidores se afastarem em Anápolis
Levantamento da Prefeitura mostra que quase metade da folha salarial mensal foi destinada ao pagamento de servidores afastados por motivos de saúde. (Foto: Divulgação/Prefeitura de Anápolis)

A Prefeitura de Anápolis ampliou a auditoria sobre a chamada “farra dos atestados” após identificar um número elevado de licenças médicas concedidas a servidores municipais em 2025. De acordo com reportagem da TV Anhanguera, 4.550 dos 7.605 servidores ativos apresentaram atestado médico em algum momento do ano, o equivalente a 58,8% do quadro funcional.

A folha de pagamento do município gira em torno de R$ 54 milhões por mês. Desse total, aproximadamente R$ 27 milhões foram destinados ao pagamento de servidores que estavam afastados por licença médica.

Os números, por si só, não indicam irregularidades, já que muitos afastamentos podem ter ocorrido por motivos de saúde devidamente comprovados. No entanto, a auditoria encontrou situações consideradas suspeitas, levando a Prefeitura a encaminhar o caso para investigação da Polícia Civil (PC) e do Ministério Público de Goiás (MPGO).

Entre os episódios apresentados também está o de um médico concursado que, segundo a apuração, permanece afastado da Prefeitura desde 2024, período em que recebeu mais de R$ 360 mil. Paralelamente, ele teria continuado exercendo normalmente um cargo no governo federal, recebendo remuneração superior a R$ 20 mil mensais.

Outro caso envolve um professor da rede municipal que recebeu cerca de R$ 265 mil durante o afastamento em 2025, enquanto seguia trabalhando em um cargo vinculado ao governo estadual.

A acumulação de cargos públicos é permitida pela legislação em determinadas situações. A suspeita investigada é se alguns servidores teriam sido considerados incapazes apenas para exercer a função municipal, permanecendo aptos para atuar normalmente em outros órgãos.

Segundo a reportagem, a investigação ganhou força após o psiquiatra Alex Costa, integrante da junta médica da Prefeitura, identificar atestados com sua assinatura que nunca foram emitidos por ele.

“O servidor afirmou que havia sido consultado por mim. Eu disse que isso era impossível, porque eu nunca o havia atendido”, relatou o médico à emissora.

Ainda conforme Alex Costa, a assinatura digital utilizada nos documentos também apresentava características diferentes da original.

Após a identificação dos documentos, a Prefeitura instaurou processos administrativos e informou que alguns servidores já foram exonerados em razão da apresentação de atestados considerados falsos.

O prefeito Márcio Corrêa afirmou à TV Anhanguera que a auditoria será ampliada para todos os casos de afastamento e que, caso sejam comprovadas irregularidades, a administração buscará o ressarcimento dos recursos públicos, além do encaminhamento dos casos aos órgãos responsáveis pela investigação.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Atua no Portal 6 desde 2022, passando pelas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com a opinião pública e cotidiano da população.

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