Goiás perde 26 mil caminhoneiros e vê crescer temor de ‘apagão logístico’

Um dos grandes hubs de logística do país, Anápolis depende dos profissionais. Porém, com dificuldades, autônomos têm deixado as rodovias e aberto espaço para empresas

Lucas Tavares -
Protesto de caminhoneiros durante a pandemia de Covid-19. (Foto: Marcelo Camargo/ Agência Brasil)

Goiás perdeu mais de 26 mil caminhoneiros nos últimos seis anos. Em Anápolis, esse impacto se deu principalmente sobre os motoristas autônomos e há, em parte do mercado, o temor de um apagão logístico.

De acordo com levantamento feito Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, existe um déficit de 100 mil profissionais em relação à frota de caminhões no Brasil.

Mas se engana quem pensa que menos motoristas autônomos na praça é significado de redução na circulação de produtos e menor lucro para as empresas.

É que, cada vez mais, as grandes companhias optam pela utilização de carros maiores e mais modernos, o que exige uma capacitação específica por parte dos condutores.

“O autônomo não consegue acompanhar as grandes empresas. Elas inclusive têm dificuldade para contratar motoristas, porque aumentou muito a frota. [As empresas] Estão só crescendo”, afirmou o empresário e membro do Conselho Fiscal do Porto Seco Centro-Oeste Anápolis, Sérgio Hajjar.

Segundo ele, fatores econômicos também contribuíram para o “sumiço” dessa classe, que hoje se vê obrigada a mudar de caminho, ou mesmo de profissão.

“Eles passam por muitas dificuldades, gasolina cara, precisam ficar comprando peças, enquanto nas empresas você vê uma renovação da frota, gastam muito menos. Você não vê mais veículos em má condição, usados há muito tempo”, explicou.

No meio desta mudança de paradigma, há espaço para as mulheres. Os empresários veem-nas cada vez mais comumente no transporte de cargas e não medem elogios para o profissionalismo.

“São exemplo para a profissão. Elas chegam super preparadas, inclusive psicologicamente. Além disso, têm os carros personalizados, com faixa cor de rosa e tudo mais”, avaliou Sérgio.

Busca por alternativas

A Associação Pró-Desenvolvimento do Estado de Goiás (Adial) mostra que, em 2022, 63% de todas as cargas transportadas no país se utilizam deste modo de transporte para chegar até o destino.

Isso significa que o Brasil é um país muito dependente das rodovias e estradas, que nem sempre estão em boa qualidade.

Para o diretor executivo da Adial Log, Eduardo Alves, um apagão logístico, previsto há anos, pode se tornar realidade, uma vez que os jovens não se interessam pela profissão de caminhoneiro. “Sem um planejamento de atuação em médio prazo conheceremos um verdadeiro colapso logístico em breve”, frisa.

Sérgio Hajjar explica que investir em trilhos diminuiria os custos para as empresas e que isso poderia trazer os autônomos de volta ao jogo.

“Não acredito que seja revertido em curto prazo, eles estão praticamente em extinção. Pode ser que com o aumento de ferrovias eles voltem a fazer pequenas viagens”, concluiu.

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