Farmacêutica morre em Goiânia após ser liberada quatro vezes pelo hospital e irmã desabafa: “a gente fez o que podia”

Operadora de saúde relatou ter acompanhado o caso com profissionalismo e que aguarda laudo pericial do SVO

Davi Galvão Davi Galvão -
Farmacêutica morre em Goiânia após ser liberada quatro vezes pelo hospital e irmã desabafa: “a gente fez o que podia”
Karine Dias Ferreira era farmacêutica e faleceu na madrugada desta sexta-feira (04). (Foto: Redes Sociais)

Faleceu, na madrugada desta sexta-feira (04), Karine Dias Ferreira, de 33 anos, em Goiânia. O que começou como uma simples infecção na garganta se transformou em um dos momentos mais dolorosos para a família da paciente, que atribui a morte de Karine à ineficácia dos serviços prestados pela Hapvida.

Por outro lado, a operadora de saúde relatou ter acompanhado o caso com profissionalismo e preocupação e afirmou aguardar o laudo pericial do Serviço de Verificação de Óbito (SVO) para maiores comentários.

Em entrevista ao Portal 6, Tatyanny Alves, irmã da falecida, confessou que talvez tão forte quanto a dor da perda, seja o sentimento de impotência pelo qual teve de passar.

Isso porque, no final de março, Karine procurou a unidade de saúde localizada no Jardim América para tratar uma infecção de garganta. Porém, logo após retornar para casa e fazer uso da medicação indicada, passou a lidar com sintomas alérgicos e a se sentir mal, o que a fez tornar ao centro médico, no último sábado (29), tendo sido medicada e liberada.

No dia seguinte, a situação se agravou, com pústulas e lesões se espalhando pelo rosto e pescoço da paciente, o que a fez, mais uma vez, ir até a unidade do Hapvida. O resultado, porém, não foi diferente.

Diversas lesões e marcas se espalharam pelo corpo da paciente. (Foto: Arquivo Pessoal)

Diversas lesões e marcas se espalharam pelo corpo da paciente. (Foto: Arquivo Pessoal)

“O que mais me dói é saber que a gente fez tudo o que podia, tudo o que tinha como fazer. Minha irmã era farmacêutica, mas se recusava a se auto medicar, porque confiava no trabalho médico. Isso custou a vida dela”, lamentou Tatyanni.

Ela contou que a situação se manteve com as visitas diárias até que, na madrugada desta quarta-feira (02), após esperar por mais de 12 horas, a paciente foi internada, por volta de 03h da manhã.

“A gente chegou lá era na terça, ainda de tarde, só na madrugada de quarta foram internar ela, quando já não estava aguentando mais. Disseram que precisavam esperar uma liberação do sistema. Que sistema é esse? A gente trabalha para ter um plano que não age em prol da vida, mas sim do sistema”, desabafou.

Ainda assim, Karine teve o óbito confirmado pela equipe médica na madrugada desta sexta-feira (04). Tatyanny acredita que a irmã tenha morrido por conta de uma falência no fígado, mas um laudo pericial ainda irá confirmar a causa da oficial.

“Não estou falando da doença, pode ser que realmente aconteceu o que era para acontecer, mas a gente nunca vai saber. A gente veio aqui, para eles descobrirem o que ela tinha, eles só medicavam. Se tivessem internado ela antes, talvez minha irmã estivesse viva”, lamentou.

Por fim, ela afirmou que irá buscar Justiça pela irmã, para que a tragédia que aconteceu não se repita em nenhuma outra família.

Nas redes sociais, amigos e familiares expressaram o luto pela partida tão precoce de Karine. O Sindicato dos Farmacêuticos também publicou uma nota de pesar.

Nota de pesar divulgada pelo Sindicato dos Farmacêuticos. (Foto: Redes Sociais)

Nota de pesar divulgada pelo Sindicato dos Farmacêuticos. (Foto: Redes Sociais) 

Confira nota da Hapvida na íntegra:

O hospital se solidariza com a família e reconhece a dor profunda que envolve a perda de um ente querido. Neste momento tão delicado, expressa sinceros sentimentos de pesar e respeito.

Desde a chegada da paciente, toda a assistência necessária foi prestada. Durante o período em que permaneceu em observação, ela esteve sob monitoramento contínuo, sendo acompanhada de forma atenta por uma equipe multiprofissional. Exames foram realizados, e todos os cuidados voltados ao seu bem-estar foram conduzidos com responsabilidade, sensibilidade e atenção.

O hospital reitera seu compromisso com o respeito às pessoas e permanece à disposição da família para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.

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