Comunicado a todos brasileiros que informam o CPF ao comprar em supermercados

Cadastro pode gerar benefícios como descontos e notas fiscais, mas especialistas alertam que o dado permite montar um histórico completo de consumo do cliente

Pedro Ribeiro Pedro Ribeiro -
Colocando CPF no caixa do supermercado
(Foto: Reprodução)

nformar o CPF na hora de comprar em supermercados virou algo comum na rotina de muitos brasileiros. Em alguns casos, a promessa é de descontos imediatos, participação em programas de fidelidade ou acúmulo de vantagens.

Em outros, a solicitação aparece apenas como parte do registro da nota fiscal, mas o que nem todo mundo percebe é que esse simples hábito pode criar um histórico completo das compras feitas ao longo do tempo.

Quando o consumidor informa o CPF no caixa, o dado passa a ficar associado àquela compra no sistema do estabelecimento, registrando itens adquiridos, horários, frequência e padrões de consumo.

Na prática, isso permite que empresas entendam melhor o comportamento de cada cliente e usem essas informações para direcionar promoções, ofertas personalizadas e campanhas específicas.

Esse tipo de registro é comum em programas de relacionamento e pode até trazer vantagens para quem gosta de receber descontos recorrentes.

Porém, o uso dessas informações também levanta um alerta: com o tempo, o CPF pode virar uma espécie de “identidade de consumo”, facilitando a criação de perfis detalhados sobre hábitos alimentares, produtos preferidos e rotina de compras.

Outro ponto importante é que a coleta desses dados precisa respeitar a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Isso significa que o consumidor tem direito a saber para que o CPF está sendo usado, como essas informações são armazenadas e com quem podem ser compartilhadas.

Além disso, o cliente pode solicitar acesso aos dados registrados e até pedir exclusão, dependendo do caso e da finalidade do cadastro.

Para quem quer se proteger, o ideal é ter atenção ao motivo pelo qual o CPF está sendo pedido e evitar informar o dado quando não houver necessidade real.

Também é recomendado ficar de olho em programas de fidelidade que exigem cadastro completo, pois quanto mais dados forem entregues, maior é o nível de rastreio e cruzamento de informações que pode ser feito.

No fim, o CPF na nota pode sim trazer benefícios, mas também funciona como uma ferramenta poderosa de monitoramento de consumo.

Por isso, a orientação é simples: antes de aceitar informar o número automaticamente, vale entender o que está sendo registrado e como isso pode ser usado depois.

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Pedro Ribeiro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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