Agonorexia: o novo efeito colateral em pessoas ligado ao uso de canetas emagrecedoras sem prescrição

Quadro semelhante à anorexia tem sido associado ao uso indiscriminado de medicamentos injetáveis para emagrecimento

Isabella Victória -
Agonorexia: o novo efeito colateral em pessoas ligado ao uso de canetas emagrecedoras sem prescrição
(Foto: Divulgação/Senado.leg.br)

A promessa de emagrecimento rápido fez disparar o uso das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil.

Nos últimos anos, cada vez mais pessoas passaram a recorrer a esses medicamentos em busca de resultados imediatos.

No entanto, à medida que a popularização cresceu, médicos começaram a observar um comportamento preocupante que ganhou um novo nome: agonorexia.

O termo, ainda informal, descreve um quadro semelhante à anorexia que pode surgir principalmente em pessoas que utilizam esses remédios sem indicação médica adequada.

Embora a medicina ainda não reconheça oficialmente o diagnóstico, especialistas já utilizam a expressão para alertar sobre riscos físicos e emocionais ligados ao bloqueio excessivo da fome.

O que é agonorexia?

A agonorexia surge quando medicamentos da classe dos análogos de GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade e do diabete, ultrapassam o efeito esperado de reduzir o apetite e eliminam praticamente a sensação de fome.

Em vez de apenas ajudar no controle alimentar, o medicamento pode provocar aversão à comida, enjoo diante das refeições e omissão frequente de horários para se alimentar.

Com o passar do tempo, alguns pacientes também começam a evitar encontros e eventos sociais que envolvem comida, o que altera significativamente o estilo de vida.

Por que o risco aumenta sem prescrição?

Segundo especialistas, o problema aparece com maior frequência em pessoas que usam as canetas sem necessidade clínica comprovada.

Além disso, alguns fatores aumentam consideravelmente o risco:

  • Busca por emagrecimento rápido
  • Início do tratamento com doses elevadas, sem progressão adequada
  • Presença de distorção da imagem corporal
  • Falta de acompanhamento médico

Esses medicamentos atuam diretamente em áreas do cérebro responsáveis pela fome e pela sensação de prazer ao comer.

Ao mesmo tempo, retardam o esvaziamento do estômago, o que prolonga a sensação de saciedade.

Consequentemente, quando alguém utiliza o remédio fora do perfil indicado, o equilíbrio natural do organismo pode se romper e gerar efeitos perigosos.

Principais riscos à saúde

O bloqueio excessivo do apetite pode desencadear consequências graves, sobretudo quando o paciente não conta com monitoramento profissional.

Entre os principais riscos associados à agonorexia, destacam-se:

  • Perda significativa de massa muscular
  • Desnutrição
  • Desidratação
  • Fadiga intensa
  • Queda no desempenho físico
  • Redução da imunidade

Além disso, o uso inadequado pode provocar o chamado “efeito sanfona”.

Nesse caso, a pessoa perde peso rapidamente, mas recupera os quilos após interromper o medicamento.

Quando o uso é realmente indicado?

Medicamentos como Wegovy e Mounjaro passaram por testes clínicos e receberam aprovação para tratar obesidade e diabete dentro de critérios médicos específicos.

Nesses casos, o tratamento pode trazer benefícios relevantes para o controle metabólico.

Por outro lado, fora desse contexto clínico, o uso indevido aumenta o risco de impactos físicos e emocionais duradouros.

Por isso, ao perceber perda extrema de apetite, mal-estar persistente ou mudanças bruscas no comportamento alimentar, o paciente deve procurar um médico imediatamente.

Quando o emagrecimento começa a eliminar não apenas os quilos extras, mas também a fome e o bem-estar, o sinal de alerta precisa soar.

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Isabella Victória

Estudante de Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária de SEO no Portal 6. Atua na produção de conteúdo otimizado para a web, com interesse em curiosidades, comportamento, tendências digitais e temas do cotidiano, sempre com uma abordagem leve, clara e informativa.

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