Dormir com a porta do quarto fechada pode afetar o sono, segundo médicos
Especialistas alertam que o acúmulo de dióxido de carbono no ambiente pode reduzir o sono profundo e aumentar despertares noturnos

Você apaga a luz, fecha a porta e acredita que está criando o cenário ideal para descansar.
No entanto, segundo médicos e estudos recentes, esse hábito comum pode interferir na qualidade do sono sem que você perceba.
A explicação está na qualidade do ar.
Quando o quarto permanece totalmente fechado e sem ventilação adequada, o dióxido de carbono (CO₂) liberado na respiração tende a se acumular ao longo da noite.
E, conforme apontam pesquisas publicadas nos últimos anos, esse acúmulo pode reduzir o sono profundo e até impactar o desempenho cognitivo no dia seguinte.
O que acontece com o ar durante a noite?
Enquanto dormimos, o corpo continua funcionando intensamente.
Um adulto expele, em média, cerca de 250 mililitros de dióxido de carbono por minuto.
Em um quarto pequeno e fechado, esse gás se concentra progressivamente.
Em ambientes bem ventilados, o nível de CO₂ costuma ficar próximo de 400 partes por milhão (ppm).
Contudo, em quartos completamente fechados — especialmente quando duas ou mais pessoas dormem no mesmo espaço — essa concentração pode ultrapassar 1.000 ppm e, em alguns casos, atingir 1.300 ppm ou mais.
Estudos indicam que, a partir de 1.000 ppm, já ocorre redução na eficiência do sono.
Acima de 1.300 ppm, pesquisadores observaram diminuição significativa do tempo em sono profundo, além de aumento no tempo acordado durante a noite.
Como o CO₂ interfere no descanso?
O impacto não é apenas ambiental, mas fisiológico.
Níveis elevados de dióxido de carbono estimulam receptores no cérebro responsáveis por monitorar a composição do ar.
Como resultado, o organismo ativa o sistema nervoso simpático — o mesmo ligado ao estado de alerta.
Isso pode elevar o cortisol, conhecido como hormônio do estresse, e aumentar microdespertares que fragmentam o sono.
Muitas vezes, a pessoa não chega a acordar completamente, mas o descanso se torna mais superficial.
Pesquisas comparativas apontaram que o CO₂ foi o fator ambiental mais associado à piora da qualidade do sono, superando inclusive temperatura e ruído.
Ventilação faz diferença comprovada
Um estudo conduzido pela Universidade de Tecnologia de Eindhoven, publicado na revista científica Indoor Air, monitorou 17 voluntários por cinco noites consecutivas.
Quando os participantes dormiram com janela ou porta aberta, o nível médio de CO₂ foi de 717 ppm.
Já na condição de quarto fechado, a concentração subiu para 1.150 ppm.
Os resultados mostraram melhora significativa na profundidade do sono na condição ventilada, tanto na avaliação subjetiva quanto na medição objetiva por actigrafia.
Outro estudo, realizado em 2023 com 36 jovens adultos, reforçou os dados: em ambientes com 1.000 ppm, a eficiência do sono caiu e o tempo acordado aumentou.
Em 1.300 ppm, houve redução do sono profundo e aumento do cortisol ao despertar.
Além disso, especialistas afirmam que a qualidade do ar durante a noite pode influenciar até mesmo habilidades cognitivas, como concentração e tempo de reação no dia seguinte.
Como melhorar o ar no quarto?
Pequenas mudanças já podem ajudar a manter o ambiente mais saudável durante o sono:
- Deixar a porta entreaberta (cerca de 10 cm) para facilitar a circulação do ar;
- Abrir a janela alguns centímetros para permitir entrada de ar fresco;
- Utilizar ventilador silencioso para manter o ar em movimento;
- Usar purificadores com filtro HEPA para melhorar a qualidade do ar;
- Ventilar o quarto por pelo menos 30 minutos antes de dormir.
Vale lembrar que o ar-condicionado comum apenas recircula o ar interno e não renova o dióxido de carbono acumulado.
E quando a porta precisa ficar fechada?
Em algumas situações, manter a porta fechada pode ser necessário — seja por segurança contra incêndios ou para reduzir ruídos externos.
Nesse caso, especialistas recomendam compensar com ventilação parcial pela janela ou com sistemas de ventilação mecânica adequadamente mantidos.
Contudo, se a pessoa apresenta insônia persistente ou sonolência excessiva durante o dia, mudanças ambientais podem ajudar, mas não substituem avaliação médica especializada.
Dormir bem depende de vários fatores — e a qualidade do ar é um deles.
Às vezes, uma simples fresta aberta pode fazer mais diferença do que se imagina.
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