Advogada reflete sobre Operação “Sodoma e Gomorra”, em Anápolis, e aponta para riscos de exploração sexual: “existe e não está escondida”

Daniela Maciel contou ao Portal 6 que força-tarefa mostra um cenário muito mais amplo do que o que pôde ser visto

Natália Sezil -
Advogada Daniela Maciel refletiu sobre os resultados da Operação Sodoma e Gomorra.
Advogada Daniela Maciel refletiu sobre os resultados da Operação Sodoma e Gomorra. (Foto: Captura/Portal 6 e Paulo de Tarso)

A Operação “Sodoma e Gomorra”, realizada por forças de segurança e equipes da Prefeitura de Anápolis na última quinta-feira (05), gerou opiniões distintas após abordar o tema da prostituição no bairro Calixtolândia, no Sul da cidade.

A ação, feita após vídeos repercutirem nas redes sociais mostrando pessoas nuas nas proximidades de uma praça do setor, interditou nove estabelecimentos, lavrou sete autos de infração e prendeu um homem por suspeita de tráfico de drogas.

Para a advogada Daniela Maciel, vice-presidente da Comissão de Execução Penal da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Goiás (OAB-GO), a operação serviu para alertar a população de que práticas de exploração sexual existem e precisam ser vistas pelo Poder Público.

Daniela Maciel é vice-presidente da Comissão de Execução Penal da OAB-GO.

Daniela Maciel é vice-presidente da Comissão de Execução Penal da OAB-GO. (Foto: Acervo pessoal)

Em entrevista ao Portal 6, a profissional abordou os vídeos que geraram a força-tarefa e fez questão de destacar que o ato de prostituição não é crime.

Ela explica: “quando a gente pensa ‘mas a moça está andando no que parece uma praça’, isso pode ser tipificado como crime? Pode ser ato obsceno, por conta da nudez em local público”.

Os registros repercutiram por conta da preocupação e indignação gerada em diversos moradores, que apontaram que os pontos de prostituição existem próximo a uma praça frequentada por famílias, que se sentem desconfortáveis em levar os filhos ao local.

Apesar disso, ao pensar no caso de prostituição, a advogada diz que o cenário é mais abrangente, em um contexto de explorar o trabalho de pessoas para o fim de tirar proveito.

Sanções poderiam ser aplicadas por “favorecimento da prostituição ou outra forma de exploração sexual”, afirma. E detalha: “a letra da Lei diz que [o crime] é manter por conta própria, ou de terceiro, um estabelecimento em que ocorra e exploração sexual, havendo ou não o lucro”.

Nessa situação, Daniela deixa claro que punições “serão tomadas não em relação às pessoas que estão sendo exploradas, mas a quem explora o serviço delas”.

Saldo reflexivo da operação

Para a advogada, a força-tarefa realizada vai além do que se propôs a fazer. Ela defende que a sociedade precisa abrir os olhos para o tipo de problema mencionado.

“Muitas vezes a gente fala muito de segurança pública e se esquece de que a exploração sexual, tanto em adultos, mas também em crianças e adolescentes, existe e não está escondida”, ressalta.

“É claro que o intuito da Operação Sodoma e Gomorra é um, mas talvez seja importante para alertar a população goiana de que essas práticas existem e precisam ser vistas pelo Poder Público, inclusive pelo Conselho Tutelar, para que se apure se ali existem crianças e adolescentes ou mulheres em situação de risco”.

Ressaltando que também se trata de uma questão de saúde pública, Daniela defende que “o impacto disso na vida de uma mulher, criança, adolescente, que seja exposta a isso,  não termina quando ela sai da prostituição. Ele perdura durante muitos anos”.

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Natália Sezil

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás, é estagiária do Portal 6 e atua na cobertura do cotidiano. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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