País plantou pinheiros pensando que estava reflorestando, mas criou espécie invasora que reduz a quantidade de água nas bacias hidrográficas

Uma iniciativa ambiental aparentemente positiva acabou produzindo consequências inesperadas décadas depois em toda região

Magno Oliver Magno Oliver -
País plantou pinheiros pensando que estava reflorestando, mas criou espécie invasora que reduz a quantidade de água nas bacias hidrográficas
(Foto: Reprodução)

Uma estratégia de plantio florestal que inicialmente buscava recuperar áreas degradadas e ampliar a cobertura vegetal acabou gerando um problema ambiental inesperado na Nova Zelândia.

Ao longo de décadas, algumas espécies de pinheiros introduzidas para fins produtivos passaram a se espalhar fora das áreas plantadas, formando populações conhecidas localmente como “coníferas selvagens”.

Essas árvores cresceram de forma espontânea em campos abertos e regiões montanhosas, alterando o equilíbrio ecológico de diversas bacias hidrográficas do país.

O fenômeno ocorre quando sementes de pinheiros são levadas pelo vento e germinam em áreas onde não havia florestas originalmente. Com o tempo, esses indivíduos formam densos agrupamentos que avançam rapidamente pela paisagem.

Estudos com relatórios oficiais apontaram que a expansão dessas árvores pode modificar o funcionamento natural das bacias hidrográficas, reduzindo a quantidade de água que chega a rios e reservatórios.

Isso acontece porque as copas interceptam parte da chuva e o aumento da evapotranspiração das árvores diminui o volume de água disponível no solo.

A preocupação levou autoridades ambientais e científicas a tratar o problema como uma questão de gestão nacional.

O controle dessas plantas passou a integrar políticas de biossegurança coordenadas pelo Ministry for Primary Industries por meio da área de Biosecurity New Zealand.

A presença crescente dessas coníferas pode reduzir significativamente a chamada “produção hídrica” das bacias — ou seja, a parcela da chuva que se transforma em escoamento superficial e abastece rios, reservatórios e sistemas de geração hidrelétrica.

Diante da expansão da espécie, o governo criou um programa nacional de controle que envolve monitoramento territorial e remoção das árvores em regiões consideradas prioritárias.

Desde 2016, o país já investiu mais de 150 milhões de dólares neozelandeses no combate à infestação, com operações realizadas em centenas de milhares de hectares.

A estratégia inclui parcerias com comunidades, proprietários de terras e instituições públicas para evitar que a invasão continue avançando.

O caso tornou-se um exemplo de como iniciativas de reflorestamento, quando feitas sem considerar a dinâmica ecológica local, podem produzir efeitos ambientais complexos décadas depois.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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