Torrada ou pão fresco: qual aumenta mais o açúcar no sangue?

Processo de torrar o pão provoca alterações químicas que podem modificar a digestão do amido e a forma como o açúcar é liberado no sangue

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Torrada ou pão fresco: qual aumenta mais o açúcar no sangue?
(Foto: Divulgação/Pexels)

O pão está presente na rotina de milhões de pessoas, especialmente no café da manhã e nos lanches ao longo do dia.

No entanto, além do tipo de pão escolhido, um detalhe aparentemente simples pode influenciar a forma como o organismo reage ao alimento: o modo de preparo.

Entre pão fresco e torrada, por exemplo, existe mais diferença do que apenas textura e sabor. O aquecimento do pão provoca transformações que podem alterar a velocidade com que os carboidratos são digeridos e liberados no sangue.

Essa mudança está ligada ao chamado índice glicêmico, um indicador utilizado para medir a rapidez com que alimentos ricos em carboidratos elevam os níveis de açúcar na corrente sanguínea após o consumo.

Diversos fatores influenciam esse índice, incluindo a quantidade de carboidratos do alimento, a presença de fibras, proteínas e gorduras, além do grau de processamento e da forma de preparo.

Por isso, um mesmo alimento pode gerar respostas diferentes no organismo, dependendo de como é consumido.

No caso do pão, o principal componente é o amido, um carboidrato que, durante a digestão, é transformado em glicose.

Ao ser ingerido, enzimas começam a quebrar esse amido já na boca, enquanto o organismo libera insulina para transportar o açúcar até as células, onde ele será utilizado como fonte de energia ou armazenado.

Quando o pão é aquecido para virar torrada, ocorre uma perda de água e alterações na estrutura do amido.

Esse processo faz com que parte dessas moléculas fique menos acessível às enzimas digestivas, o que pode tornar a absorção da glicose um pouco mais lenta.

Outra mudança importante envolve um fenômeno conhecido como retrogradação do amido. Nesse processo, as moléculas passam a se reorganizar em uma estrutura mais compacta, o que exige mais tempo para serem quebradas durante a digestão.

Parte desse amido também pode se transformar em amido resistente, que funciona de forma semelhante às fibras alimentares.

Ele não é totalmente digerido no intestino delgado e chega ao intestino grosso, onde serve de alimento para bactérias benéficas.

Além dessas transformações, o aquecimento do pão provoca a chamada reação de Maillard, responsável pela cor dourada e pelo aroma característico da torrada.

Essa reação química também pode interferir de forma sutil na digestão dos carboidratos.

Na prática, essas mudanças podem fazer com que a torrada provoque uma liberação de açúcar no sangue um pouco mais gradual em comparação ao pão fresco.

Ainda assim, especialistas reforçam que o mais importante é o contexto da alimentação. Combinar o pão com proteínas, gorduras boas ou fibras — como ovos, queijo, abacate ou pastas naturais — ajuda a reduzir ainda mais a velocidade de absorção da glicose.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Para mais informações, incluindo como configurar as permissões dos cookies, consulte a nossa nova Política de Privacidade.