18 anos após caso que chocou Goiás, jovem que teve língua cortada pela mãe adotiva relembra a história: “Eu sobrevivi”
Relato emocionante nas redes sociais relembra episódio marcante e mostra nova fase da vida

Dezoito anos após ser resgatada de uma situação de cárcere e violência em Goiânia, Lucélia Rodrigues da Silva voltou a falar publicamente sobre a própria história e o processo de reconstrução ao longo dos anos.
O relato foi compartilhado nas redes sociais e marca a data em que a vida dela mudou.
À época, ela tinha 12 anos e foi encontrada em um apartamento no Setor Marista. O resgate ocorreu em 15 de março de 2008.
O resgate
A Polícia Civil (PC) chegou ao local após uma denúncia feita por um vizinho, que suspeitou da situação e acionou as autoridades.
Ao entrar no apartamento, os policiais encontraram a adolescente amarrada e amordaçada, em condições consideradas extremamente degradantes — cena que evidenciava a gravidade do caso.
A situação chocou pela violência e repercussão em todo o estado.
Segundo as investigações, Lucélia vivia sob responsabilidade de uma empresária, autorizada pela família biológica para que pudesse estudar na capital.
No entanto, a realidade era bem diferente do esperado.
Maus-tratos e violência
A apuração da época apontou que a menina era submetida a uma rotina de agressões físicas e psicológicas, além de privações básicas, como alimentação adequada.
Os relatos reunidos indicavam episódios recorrentes de violência, castigos e situações que evidenciavam um ambiente de sofrimento constante.
Em uma das agressões mais graves, a menina teve parte da língua cortada com um alicate pela mãe adotiva.
O caso levou à prisão dos envolvidos e à responsabilização judicial.
A principal acusada foi condenada à prisão, além do pagamento de indenizações.
Desfecho
Após o resgate, Lucélia passou por acompanhamento psicológico e foi acolhida inicialmente em abrigos.
Os pais biológicos perderam a guarda, o que levou à permanência da menina sob proteção do Estado durante esse período.
Posteriormente, ela foi adotada de forma legal por um casal de pastores, Ezenete Rodrigues e Marcos Rodrigues, e se mudou para Belo Horizonte (MG), onde deu continuidade ao tratamento para superar os traumas.
Anos depois, Lucélia manifestou o desejo de retomar o convívio com o pai biológico e voltou para Goiás, decisão que foi autorizada pela Justiça.
Nova fase
Hoje, adulta, casada e mãe de três filhos, ela atua como missionária e costuma compartilhar a própria trajetória em igrejas, eventos e nas redes sociais.
Lucélia afirma que encontrou na fé, na família e no apoio recebido ao longo dos anos a base para reconstruir a própria história e ressignificar o passado.
“18 anos atrás eu estava presa em um cativeiro… Hoje eu vivo a liberdade que só Deus pode dar”, escreveu.
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