Falta de sono profundo pode levar ao acúmulo de toxinas no cérebro, aponta estudo

Falta de sono profundo pode prejudicar a limpeza do cérebro e favorecer o acúmulo de proteínas ligadas ao declínio cognitivo

Gabriel Dias Gabriel Dias -
Falta de sono profundo pode levar ao acúmulo de toxinas no cérebro, aponta estudo
(Imagem: Ilustração/Freepik)

Dormir não é apenas uma pausa para o corpo — é um processo essencial para a manutenção da saúde do cérebro. Durante a noite, especialmente no sono profundo, o organismo ativa mecanismos importantes de limpeza que ajudam a preservar funções cognitivas ao longo da vida.

Pesquisas recentes indicam que a redução do sono profundo pode estar diretamente ligada ao acúmulo de proteínas consideradas tóxicas, como a beta-amiloide e a tau. Essas substâncias estão associadas ao desenvolvimento de doenças neurodegenerativas, incluindo o Alzheimer.

O papel do sono profundo na limpeza cerebral

O sono profundo ocorre nas fases mais intensas do ciclo não REM, quando a atividade cerebral diminui e o corpo entra em um estado de recuperação mais profundo. Nesse momento, o sistema glinfático — responsável pela “faxina” do cérebro — entra em ação.

Esse sistema utiliza o líquido cefalorraquidiano para eliminar resíduos acumulados ao longo do dia. Com a expansão dos espaços entre os neurônios, a circulação desse líquido se torna mais eficiente, facilitando a remoção de substâncias indesejadas.

Quando o sono é interrompido ou insuficiente, esse processo perde eficiência, favorecendo o acúmulo progressivo dessas proteínas no cérebro.

O que dizem os estudos sobre o impacto do sono

Evidências científicas reforçam essa relação. Em um ensaio clínico publicado na revista Nature Communications, pesquisadores observaram que pessoas que dormiram normalmente apresentaram maior eliminação de beta-amiloide e tau em comparação àquelas privadas de sono.

O estudo, realizado com voluntários, mostrou que o descanso adequado favorece mecanismos fisiológicos que ajudam a manter o equilíbrio cerebral. Por outro lado, noites mal dormidas ou fragmentadas reduzem essa capacidade de limpeza.

Além disso, a privação contínua do sono também pode aumentar a inflamação e o estresse oxidativo, fatores que contribuem para o envelhecimento do cérebro e a perda de memória.

Diante desse cenário, manter uma boa qualidade de sono se torna tão importante quanto a duração das horas dormidas. Criar uma rotina regular, evitar estímulos antes de dormir e respeitar os ciclos naturais do corpo são atitudes que ajudam a preservar o funcionamento cerebral ao longo dos anos.

Siga o Portal 6 no Google News e fique por dentro de tudo!

Gabriel Dias

Gabriel Dias

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG). Apaixonado por Telejornalismo e Jornalismo Cultural.

Você tem WhatsApp ou Telegram? É só entrar em um dos grupos do Portal 6 para receber, em primeira mão, nossas principais notícias e reportagens. Basta clicar aqui e escolher.

+ Notícias

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência em nossos serviços, personalizar publicidade e recomendar conteúdo de seu interesse. Para mais informações, incluindo como configurar as permissões dos cookies, consulte a nossa nova Política de Privacidade.