STJ decide que mulher que abandonou carreira para cuidar da casa pode ter direito a pensão vitalícia

Superior Tribunal de Justiça reconheceu impacto econômico do trabalho doméstico não remunerado após separação de casal

Gabriel Yure Gabriel Yuri Souto -
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(Foto: Divulgação)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) consolidou um entendimento importante sobre a proteção financeira de mulheres que deixam a carreira profissional para se dedicar integralmente à casa e à família.

A decisão aconteceu no julgamento do Recurso Especial nº 2.138.877/MG e teve relatoria da ministra Nancy Andrighi. Além disso, o caso ganhou grande repercussão após o perfil @nacaojuridica divulgar detalhes do entendimento nas redes sociais.

STJ reconheceu importância do trabalho doméstico

No processo analisado, o casal permaneceu casado por quase 30 anos sob o regime de comunhão universal de bens. Durante esse período, a mulher abandonou gradualmente suas atividades profissionais para cuidar exclusivamente da casa e da família.

Enquanto isso, o marido desenvolveu a carreira profissional e ampliou significativamente o patrimônio da família. Dessa forma, a esposa acabou ficando afastada do mercado de trabalho por décadas.

Após a separação, ela passou a enfrentar dificuldades financeiras severas. Segundo informações do processo, a ex-esposa dependia da ajuda dos filhos e também de benefício social para sobreviver.

Ao analisar o caso, o STJ reconheceu que o trabalho doméstico não remunerado possui importância econômica dentro da estrutura familiar. Por isso, os ministros entenderam que a dedicação exclusiva ao lar também contribuiu diretamente para o crescimento profissional e financeiro do ex-marido.

Decisão aplicou perspectiva de gênero

A Terceira Turma do STJ aplicou o Protocolo para Julgamento com Perspectiva de Gênero do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Segundo o entendimento, existe uma divisão histórica desigual entre homens e mulheres dentro das relações familiares.

Além disso, a decisão destacou que muitas mulheres acabam abrindo mão da própria independência financeira para assumir responsabilidades domésticas e cuidados familiares.

Por esse motivo, o tribunal entendeu que a dependência econômica criada ao longo de décadas pode justificar o pagamento de pensão alimentícia após o fim do casamento.

Especialistas afirmam que o entendimento fortalece o reconhecimento jurídico do trabalho doméstico e amplia a proteção econômica de mulheres em situação de vulnerabilidade após separações longas.

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Gabriel Yure

Gabriel Yuri Souto

Formado em Marketing, é especialista em SEO e estratégias de crescimento de audiência. Atua na produção de conteúdo digital, com foco em posicionamento nos mecanismos de busca, análise de desempenho e desenvolvimento de pautas orientadas por dados.

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