Pilotos denunciam “invasão” de motociclistas no Aeroporto de Anápolis e segurança preocupa

Visitantes foram registrados a poucos metros de distância das aeronaves, o que pode prejudicar a operação

Natália Sezil -
Presença de motociclistas no Aeroporto de Anápolis preocupou.
Presença de motociclistas no Aeroporto de Anápolis preocupou. (Foto: Repórter Anápolis)

Ainda que operando apenas para voos executivos e pousos emergenciais, o Aeroporto de Cargas de Anápolis tem preocupado alguns pilotos nas últimas semanas, em denúncias quanto à segurança do espaço.

Vídeos recentes mostram motociclistas muito próximos à área de movimentação das aeronaves. Nas imagens, repercutidas pelo radialista Marcelo Santos (@reporteranapolis), eles aparecem fazendo manobras e tirando fotos próximo ao avião.

Em alguns momentos, os “visitantes” estão a apenas alguns metros de distância, separados do pátio operacional por uma única cerca de arame. Isso enquanto aeronaves passam por procedimentos de testes.

A preocupação dos pilotos diz respeito à segurança operacional. Para se ter noção, qualquer aeródromo precisa atender a uma série de normas e parâmetros definidos pelo Departamento de Controle do Espaço Aéreo (DECEA) e pela Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), justamente para evitar acidentes.

As zonas de proteção entram nessa lista. O cálculo considera o tipo de aeronave que usa a pista, a elevação do terreno, condições meteorológicas e requisitos de espaços necessários para decolagem e pousos seguros.

Assim, define uma distância mínima para que outros objetos possam estar posicionados próximo a um aeroporto sem correr nenhum risco.

Além disso, surgem na discussão dos pilotos questões como o controle de acesso às proximidades das operações, manutenção das estruturas utilizadas e segurança patrimonial. O problema com os motociclistas também não seria novo: teria se repetido várias vezes antes, em situações semelhantes.

Órgão responsável

A administração do Aeroporto de Cargas de Anápolis sofreu um vai-e-vem nos últimos anos. A federalização do espaço começou a ser negociada em 2023 e passou a valer em 2024.

À época, o projeto estava sob responsabilidade da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), que programava a construção de uma nova pista de cargas com três mil metros de comprimento, para receber aeronaves de grande porte.

Em fevereiro de 2025, a Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra) anunciou que retomaria a administração do Aeroporto, rompendo o acordo com o órgão federal devido à falta de investimentos, justificada por questões ambientais.

Questionada, a Goinfra afirmou que a estrutura está sob responsabilidade da Infraero.

O que diz a Infraero

Após a publicação da reportagem, a Infraero encaminhou nota esclarecendo que as imagens não foram registradas dentro do Aeroporto de Anápolis administrado pela estatal, mas em uma área conhecida como Aeroporto de Cargas, atualmente sob responsabilidade do Governo de Goiás, por meio da Goinfra.

Segundo a empresa, as primeiras movimentações de motociclistas no local foram identificadas em março deste ano. A estatal afirmou ainda que esse tipo de prática é proibido e incompatível com as normas de segurança operacional estabelecidas pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac).

A Infraero também destacou que o Aeroporto de Anápolis é totalmente cercado, possui apenas uma entrada operacional e conta com vigilância 24 horas por dia.

Ainda conforme a nota, em 25 de março de 2026 a empresa enviou um ofício ao presidente da Goinfra relatando preocupação com a circulação de motociclistas na área e sugerindo providências para impedir a continuidade das atividades.

A estatal ressaltou que não sabe como ocorre o acesso dos motociclistas ao local mostrado nas imagens, uma vez que a área denominada Aeroporto de Cargas está sob responsabilidade do Governo de Goiás.

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Natália Sezil

Chegou no Portal 6 como estagiária de jornalismo e foi promovida a repórter. Apaixonada por boas histórias, gosta de ouvir as pessoas, entender contextos e transformar relatos em narrativas que informam e conectam o público.

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