Torrada ou pão fresco: qual aumenta mais o açúcar no sangue?
Processo de torrar o pão provoca alterações químicas que podem modificar a digestão do amido e a forma como o açúcar é liberado no sangue

O pão está presente na rotina de milhões de pessoas, especialmente no café da manhã e nos lanches ao longo do dia.
No entanto, além do tipo de pão escolhido, um detalhe aparentemente simples pode influenciar a forma como o organismo reage ao alimento: o modo de preparo.
Entre pão fresco e torrada, por exemplo, existe mais diferença do que apenas textura e sabor. O aquecimento do pão provoca transformações que podem alterar a velocidade com que os carboidratos são digeridos e liberados no sangue.
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Essa mudança está ligada ao chamado índice glicêmico, um indicador utilizado para medir a rapidez com que alimentos ricos em carboidratos elevam os níveis de açúcar na corrente sanguínea após o consumo.
Diversos fatores influenciam esse índice, incluindo a quantidade de carboidratos do alimento, a presença de fibras, proteínas e gorduras, além do grau de processamento e da forma de preparo.
Por isso, um mesmo alimento pode gerar respostas diferentes no organismo, dependendo de como é consumido.
No caso do pão, o principal componente é o amido, um carboidrato que, durante a digestão, é transformado em glicose.
Ao ser ingerido, enzimas começam a quebrar esse amido já na boca, enquanto o organismo libera insulina para transportar o açúcar até as células, onde ele será utilizado como fonte de energia ou armazenado.
Quando o pão é aquecido para virar torrada, ocorre uma perda de água e alterações na estrutura do amido.
Esse processo faz com que parte dessas moléculas fique menos acessível às enzimas digestivas, o que pode tornar a absorção da glicose um pouco mais lenta.
Outra mudança importante envolve um fenômeno conhecido como retrogradação do amido. Nesse processo, as moléculas passam a se reorganizar em uma estrutura mais compacta, o que exige mais tempo para serem quebradas durante a digestão.
Parte desse amido também pode se transformar em amido resistente, que funciona de forma semelhante às fibras alimentares.
Ele não é totalmente digerido no intestino delgado e chega ao intestino grosso, onde serve de alimento para bactérias benéficas.
Além dessas transformações, o aquecimento do pão provoca a chamada reação de Maillard, responsável pela cor dourada e pelo aroma característico da torrada.
Essa reação química também pode interferir de forma sutil na digestão dos carboidratos.
Na prática, essas mudanças podem fazer com que a torrada provoque uma liberação de açúcar no sangue um pouco mais gradual em comparação ao pão fresco.
Ainda assim, especialistas reforçam que o mais importante é o contexto da alimentação. Combinar o pão com proteínas, gorduras boas ou fibras — como ovos, queijo, abacate ou pastas naturais — ajuda a reduzir ainda mais a velocidade de absorção da glicose.
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