18 anos após caso que chocou Goiás, jovem que teve língua cortada pela mãe adotiva relembra a história: “Eu sobrevivi”

Relato emocionante nas redes sociais relembra episódio marcante e mostra nova fase da vida

Pedro Pedro Ribeiro -
18 anos após caso que chocou Goiás, jovem que teve língua cortada pela mãe adotiva relembra a história: “Eu sobrevivi”
(Foto: Reprodução/Redes Sociais/@luceliarodriguesoficial)

Dezoito anos após ser resgatada de uma situação de cárcere e violência em Goiânia, Lucélia Rodrigues da Silva voltou a falar publicamente sobre a própria história e o processo de reconstrução ao longo dos anos.

O relato foi compartilhado nas redes sociais e marca a data em que a vida dela mudou.

À época, ela tinha 12 anos e foi encontrada em um apartamento no Setor Marista. O resgate ocorreu em 15 de março de 2008.

O resgate

A Polícia Civil (PC) chegou ao local após uma denúncia feita por um vizinho, que suspeitou da situação e acionou as autoridades.

Ao entrar no apartamento, os policiais encontraram a adolescente amarrada e amordaçada, em condições consideradas extremamente degradantes — cena que evidenciava a gravidade do caso.

A situação chocou pela violência e repercussão em todo o estado.

Segundo as investigações, Lucélia vivia sob responsabilidade de uma empresária, autorizada pela família biológica para que pudesse estudar na capital.

No entanto, a realidade era bem diferente do esperado.

Maus-tratos e violência

A apuração da época apontou que a menina era submetida a uma rotina de agressões físicas e psicológicas, além de privações básicas, como alimentação adequada.

Os relatos reunidos indicavam episódios recorrentes de violência, castigos e situações que evidenciavam um ambiente de sofrimento constante.

Em uma das agressões mais graves, a menina teve parte da língua cortada com um alicate pela mãe adotiva.

O caso levou à prisão dos envolvidos e à responsabilização judicial.

A principal acusada foi condenada à prisão, além do pagamento de indenizações.

Desfecho

Após o resgate, Lucélia passou por acompanhamento psicológico e foi acolhida inicialmente em abrigos.

Os pais biológicos perderam a guarda, o que levou à permanência da menina sob proteção do Estado durante esse período.

Posteriormente, ela foi adotada de forma legal por um casal de pastores, Ezenete Rodrigues e Marcos Rodrigues, e se mudou para Belo Horizonte (MG), onde deu continuidade ao tratamento para superar os traumas.

Anos depois, Lucélia manifestou o desejo de retomar o convívio com o pai biológico e voltou para Goiás, decisão que foi autorizada pela Justiça.

Nova fase

Hoje, adulta, casada e mãe de três filhos, ela atua como missionária e costuma compartilhar a própria trajetória em igrejas, eventos e nas redes sociais.

Lucélia afirma que encontrou na fé, na família e no apoio recebido ao longo dos anos a base para reconstruir a própria história e ressignificar o passado.

“18 anos atrás eu estava presa em um cativeiro… Hoje eu vivo a liberdade que só Deus pode dar”, escreveu.

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Pedro

Pedro Ribeiro

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Colabora com o Portal 6 desde 2022, atuando principalmente nas editorias de Comportamento, Utilidade Pública e temas que dialogam diretamente com o cotidiano da população.

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