Anápolis está entre as cidades goianas mais afetadas pelo tarifaço de Trump; entenda os impactos
Levantamento aponta que mais de US$ 1,2 milhão em exportações do município estão entre os produtos brasileiros atingidos pela nova taxação dos Estados Unidos
As novas tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros também devem atingir empresas instaladas em Anápolis.
Um levantamento elaborado pelo Estadão, com base em informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), mostra que o município está entre os mais expostos à medida em Goiás.
Ao longo de 2024, Anápolis exportou US$ 1.278.018 em mercadorias incluídas na lista de produtos que passaram a sofrer a cobrança adicional do governo norte-americano.
O volume coloca a cidade na sexta posição entre os municípios goianos mais afetados pelo chamado tarifaço.
Os dados consideram o valor FOB (preço da mercadoria somado aos custos de fabricação, embalagem, impostos de saída e transporte até o local de embarque) das exportações e correspondem a aproximadamente R$ 6,5 milhões, considerando a cotação atual do dólar.
O principal impacto recai sobre os produtos químicos orgânicos, que representam mais de 98% das exportações anapolinas atingidas pelas novas tarifas.
Também aparecem na relação máquinas e equipamentos mecânicos, além de produtos derivados da madeira.
Goiás concentra grandes exportadores
O levantamento também mostra que Goiatuba e Goianésia lideram o ranking estadual por concentrarem boa parte das exportações de açúcar orgânico destinadas ao mercado norte-americano.
Na sequência aparecem Catalão, Goiânia e Quirinópolis, antes de Anápolis.
Grande parte desse impacto está relacionada ao setor sucroenergético. Em 2024, cerca de 140 mil toneladas de açúcar orgânico foram exportadas pelo Brasil aos Estados Unidos, sendo aproximadamente 100 mil toneladas produzidas em Goiás.
Segundo o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), André Rocha, apenas uma cota de 150 mil toneladas de açúcar comum produzido no Nordeste permanece com tratamento diferenciado.
Todo o volume excedente passou a ser tributado pela alíquota acumulada de 37,5%.
Enquanto produtos como petróleo, café e carne bovina ficaram de fora da medida anunciada pelo governo norte-americano, setores como o de açúcar, madeira, máquinas e calçados passaram a enfrentar a cobrança máxima.
A Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado de Goiás (Adial) afirmou acompanhar a situação com preocupação e defendeu o fortalecimento das relações diplomáticas e a diversificação dos mercados internacionais.
A entidade destaca que Goiás exportou cerca de US$ 13,4 bilhões em 2025, consolidando-se como um dos principais polos agroindustriais do país.
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