Aos 25 anos, ela varria as ruas da grande cidade sob o sol e, sem dinheiro para o ônibus, pedalava 11 km por dia para estudar à noite, voltava para casa depois da meia-noite e manteve a rotina até virar a primeira da família com diploma, e receber a carteira da OAB
Após conciliar o trabalho como gari, a faculdade de Direito e longos trajetos de bicicleta, jovem conquistou a OAB e iniciou carreira jurídica em Mato Grosso

Durante o dia, Ketlly Cristina da Silva enfrentava o calor das ruas de Várzea Grande (MT) trabalhando como gari. À noite, subia em uma bicicleta para percorrer cerca de 11 quilômetros entre ida e volta até a faculdade de Direito.
A rotina exaustiva se repetiu por anos, até que ela se tornou a primeira pessoa da família a concluir o ensino superior, conquistou a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e iniciou a carreira na área jurídica.
A jovem conciliou o trabalho na limpeza urbana com os estudos graças ao financiamento estudantil do Fies. Sem condições de pagar transporte diariamente, fazia o trajeto de bicicleta e, muitas vezes, só chegava em casa depois da meia-noite, precisando acordar cedo para iniciar um novo dia de trabalho.
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Antes de ingressar como gari, Ketlly trabalhava como vigia e também vendia cremosinho para complementar a renda. A aprovação em um concurso público garantiu a estabilidade necessária para continuar pagando as despesas relacionadas à graduação, mesmo enfrentando dificuldades financeiras e físicas durante a rotina.
A escolha pelo curso de Direito também foi motivada por uma experiência familiar. Após perder o pai ainda na infância, ela viu a mãe enfrentar dificuldades por falta de orientação jurídica e decidiu seguir a profissão para ajudar pessoas em situações semelhantes.
Em 2021, concluiu a graduação e ganhou destaque nacional pela história de perseverança. Logo depois, passou a atuar na Procuradoria-Geral de Várzea Grande, deixando definitivamente o trabalho na limpeza urbana.
O sonho, porém, só foi completamente realizado em setembro de 2023, quando recebeu a carteira da OAB e passou a exercer oficialmente a advocacia. Além disso, integrou a Comissão de Direitos Humanos da OAB de Mato Grosso e, em 2025, foi homenageada pela Assembleia Legislativa do estado por sua trajetória.
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