Esse é o “brinquedinho” que jovem de Anápolis usava para falsificar alimentos, remédios e leite para bebês recém-nascidos

Datadora industrial apreendida na operação do BPCães era capaz de remover e reimprimir datas de validade em minutos, enganando consumidores

Danilo Boaventura Danilo Boaventura -
Esse é o “brinquedinho” que jovem de Anápolis usava para falsificar alimentos, remédios e leite para bebês recém-nascidos
Laboratório Clandestino Anápolis. (Foto: BPCães/ PMGO)

Parecia um “brinquedinho” inocente, mas era na verdade uma arma sofisticada de crime. A máquina apreendida pela Polícia Militar durante a operação na Vila Nossa Senhora D’Abadia é uma impressora industrial conhecida como datadora ou codificadora — e ela foi responsável por enganar milhares de consumidores em Anápolis.

Conforme apurado pelo Portal 6, esse equipamento, que deveria ser utilizado legitimamente por indústrias alimentícias e farmacêuticas para imprimir informações de lote, data de fabricação e data de vencimento nas embalagens, foi desviado para fins criminosos.

Nas mãos do suspeito, um jovem de 24 anos, o “brinquedinho” se transformou em uma ferramenta altamente eficaz para remover e reimprimir datas de validade em minutos, permitindo que fórmulas infantis vencidas, medicamentos adulterados e alimentos impróprios para consumo fossem reintroduzidos no mercado como se fossem produtos frescos e seguros.

O funcionamento dessa máquina é tão simples quanto perigoso. A datadora utiliza tecnologia de impressão térmica ou jato de tinta para gravar as informações nas embalagens.

No esquema descoberto em Anápolis, o jovem colocava produtos vencidos na máquina, que removia a data original através de um processo de aquecimento ou raspagem, e em seguida reimpremia uma nova data de validade — geralmente com meses ou até anos adiantados.

Esse processo levava apenas minutos por embalagem, permitindo que centenas de produtos fossem processados rapidamente.

A precisão do “brinquedinho” era assustadora: reproduzia fielmente o formato, a cor e o tamanho das datas originais, tornando praticamente impossível para um consumidor comum identificar a falsificação à primeira vista.

Entre os produtos processados estavam fórmulas infantis — itens críticos para bebês recém-nascidos — que, quando vencidas, podem causar sérios danos à saúde de crianças vulneráveis. Refrigerantes, cervejas, protetores solares, repelentes e medicamentos também passavam pela máquina do crime.

O risco à saúde pública representado por esse “brinquedinho” em mãos criminosas é imenso e alarmante.

Conforme apurado pelo Portal 6, a datadora apreendida funcionava como o coração da operação, permitindo que o esquema se mantivesse ativo por tempo indeterminado sem deixar rastros óbvios. Sem a máquina, o falsificador teria dificuldade em manter a ilusão de que seus produtos eram seguros para consumo.

A Polícia Militar e a Vigilância Sanitária de Anápolis reconheceram a gravidade da situação e acionaram os órgãos competentes para investigar se essa máquina havia sido utilizada anteriormente em outras operações criminosas ou se havia outros pontos de distribuição dos produtos adulterados.

A coluna Rápidas do Portal 6 conversou brevemente com alguns especialistas em segurança alimentar e eles alertaram que equipamentos como esse, quando desviados para fins criminosos, representam um dos maiores riscos à saúde pública, pois enganam consumidores de forma eficaz e podem contaminar cadeias de distribuição inteiras.

O jovem foi preso em flagrante durante a operação e segue sob investigação pela Polícia Civil, respondendo por crimes de corrupção e adulteração de produtos alimentícios e medicamentos, além de manter em depósito e expor à venda mercadorias impróprias para consumo.

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Danilo Boaventura

Danilo Boaventura

Jornalista graduado pela Universidade Federal de Goiás (UFG), pós-graduado em Docência em Comunicação pela Faculdade Cidade Verde (PR) e mestrando em Marketing Político pela Universidad del Salvador, de Buenos Aires.

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