A cidade do interior de Goiás onde a água tem mil anos e pode atingir 57 °C virou modelo em turismo termal e descanso da vida agitada

Entre serras e silêncio, existe um segredo aquecido naturalmente com paisagem tranquila que perdura a existência por séculos

Magno Oliver Magno Oliver -
Serra de Caldas é vista do espaço, com foto tirada pelo satélite Landsat 9.
Serra de Caldas é vista do espaço, com foto tirada pelo satélite Landsat 9. (Foto: Divulgação)

Quem chega a Caldas Novas, no sul de Goiás, percebe rapidamente que o calor não vem apenas do sol. Sob o solo da cidade, um sistema natural raro mantém águas aquecidas que começaram sua jornada há cerca de mil anos.

Segundo dados do Ministério do Turismo, a água que abastece hotéis, clubes e residências infiltra-se na serra, desce a grandes profundidades e retorna à superfície aquecida, consolidando o município como referência nacional em turismo termal.

O fenômeno tem origem na Serra de Caldas, onde a chuva penetra por fissuras nas rochas e alcança camadas subterrâneas superiores a mil metros.

Nesse percurso, a água é aquecida pelo gradiente geotérmico natural da Terra e pode ultrapassar 60 °C antes de emergir misturada a lençóis mais rasos, chegando às fontes entre 34 °C e 57 °C.

A região abriga os aquíferos Araxá, mais superficial, e Paranoá, mais profundo e quente, estrutura geológica que sustenta o título de maior estância hidrotermal do mundo em volume de águas quentes.

Com população estimada em 106 mil habitantes pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a cidade equilibra vocação turística e rotina de interior. São mais de 80 hotéis, diversos parques aquáticos e um comércio voltado à hospitalidade, gerando empregos diretos e indiretos ao longo do ano.

O Aeroporto Nelson Ribeiro Guimarães mantém voos regulares, facilitando o acesso de visitantes e impulsionando o setor imobiliário, que cresceu com a procura por imóveis de temporada e segunda residência.

Além das piscinas termais, o município investe em natureza e cultura. O Parque Estadual da Serra de Caldas Novas preserva mais de 12 mil hectares de Cerrado, com trilhas que levam a cachoeiras de águas frias.

Pontos como o Lago Corumbá, o Jardim Japonês e o centro histórico reforçam o perfil de destino voltado ao descanso e à qualidade de vida.

Com clima tropical e águas que correm quentes o ano inteiro, Caldas Novas consolidou-se como modelo de turismo termal sustentável e alternativa para quem busca desacelerar longe dos grandes centros urbanos.

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Magno Oliver

Magno Oliver

Jornalista formado pela Universidade Federal de Goiás. Escreve para o Portal 6 desde julho de 2023.

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