⁠Colocar o feijão de molho e descartar a primeira água antes de cozinhar: para que serve e por que as cozinheiras profissionais fazem isso

Um gesto simples antes do cozimento pode mudar totalmente a digestão, o sabor e até o valor nutricional do seu prato

Daniella Bruno -
Colocar o feijão de molho e descartar a primeira água melhora a digestão e potencializa os nutrientes
(Foto: Reprodução)

Presente diariamente na mesa de milhões de brasileiros, o feijão é muito mais do que um acompanhamento tradicional. Rico em nutrientes e versátil no preparo, ele desempenha um papel fundamental na alimentação equilibrada.

Ainda assim, muitos detalhes do seu preparo passam despercebidos, mesmo sendo determinantes para a qualidade final do prato.

Entre esses cuidados, um hábito antigo segue sendo recomendado por especialistas e cozinheiras experientes.

Mais do que tradição, trata-se de uma prática com base científica que influencia diretamente a digestão e o aproveitamento dos nutrientes: deixar o feijão de molho e descartar a primeira água antes do cozimento.

Por que deixar o feijão de molho faz diferença

Antes de tudo, o remolho atua como um processo de “limpeza” do grão. Durante esse tempo, substâncias indesejadas começam a se dissolver na água, tornando o feijão mais leve para o organismo.

Primeiramente, esse processo reduz os oligossacarídeos — açúcares complexos que o corpo não consegue digerir completamente. Como consequência, eles chegam intactos ao intestino e sofrem fermentação pelas bactérias, gerando gases e desconforto abdominal.

Ao descartar a água do molho, você elimina boa parte desses compostos. Assim, o feijão se torna mais fácil de digerir e menos propenso a causar inchaço.

Além disso, o remolho também contribui para uma cocção mais eficiente. Os grãos hidratados cozinham mais rápido e de forma uniforme, o que melhora tanto a textura quanto o sabor.

Antinutrientes: o que são e por que reduzir

Outro ponto essencial envolve os chamados antinutrientes, especialmente o ácido fítico. Embora natural, essa substância pode prejudicar a absorção de minerais importantes.

Na prática, o fitato se liga a nutrientes como ferro, zinco e cálcio, dificultando que o organismo os absorva. Isso é particularmente relevante em dietas onde o feijão é uma das principais fontes desses minerais.

No entanto, ao deixar o grão de molho e descartar a água, você reduz significativamente a presença desses compostos. Como resultado, o corpo consegue aproveitar melhor os nutrientes, potencializando os benefícios do alimento.

Vantagens práticas na cozinha

Além dos benefícios para a saúde, essa técnica traz ganhos claros no preparo do dia a dia.

  • Cozimento mais rápido: reduz o tempo na panela de pressão
  • Economia de gás: menos tempo no fogo significa menor consumo
  • Textura uniforme: evita grãos duros ou desmanchando
  • Sabor mais limpo: diminui o gosto residual amargo ou “terroso”

Dessa forma, o simples ato de deixar de molho não apenas melhora a digestão, mas também eleva a qualidade do prato como um todo.

Como fazer o remolho da forma correta

Para obter todos os benefícios, é importante seguir algumas etapas simples, mas fundamentais:

  • Lave os grãos: retire impurezas e feijões danificados
  • Deixe de molho: mantenha em água por 8 a 12 horas
  • Potencialize o processo: adicione algumas gotas de limão ou vinagre
  • Descarte a água: nunca utilize o líquido do molho no cozimento
  • Enxágue novamente: antes de levar à panela

Além disso, a formação de uma espuma na água é normal. Na verdade, ela indica que substâncias estão sendo liberadas — exatamente o efeito desejado.

Um detalhe simples que transforma o resultado

Muitas vezes, o segredo de uma boa alimentação não está em ingredientes sofisticados, mas em técnicas simples aplicadas corretamente. O remolho do feijão é um exemplo claro disso.

Ao adotar esse hábito, você melhora a digestão, potencializa a absorção de nutrientes e ainda otimiza o preparo na cozinha. Ou seja, ganha em saúde, sabor e praticidade ao mesmo tempo.

Quando tradição e ciência caminham juntas

No fim das contas, práticas antigas nem sempre são apenas costumes — muitas delas têm explicações científicas sólidas. E o preparo do feijão comprova exatamente isso.

Assim, ao respeitar esse processo, você não apenas mantém uma tradição, mas também faz uma escolha mais consciente e inteligente para o seu dia a dia alimentar.

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Daniella Bruno

Estudante de Jornalismo na Universidade Federal de Goiás (UFG) e estagiária de SEO do Portal 6, em Goiânia. Atua na produção e otimização de conteúdos digitais, com foco em matérias soft sobre comportamento, curiosidades e temas do cotidiano.

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