Morte de homem por picada de cobra faz médicos serem afastados em Goiás
Profissionais o atenderam duas vezes no hospital municipal, mas não administraram o soro antiofídico

Os dois médicos que atenderam José Carlos Bernardes de Campos, homem de 56 anos que morreu após ser picado por uma cobra em Piracanjuba, no Sul de Goiás, foram afastados do cargo. Eles trabalhavam no Hospital Municipal Tuany Garcia, onde a vítima buscou ajuda duas vezes.
A decisão é da Prefeitura de Piracanjuba, que divulgou uma nota à população neste sábado (23), esclarecendo que os profissionais estarão afastados das funções na unidade municipal até a conclusão das apurações.
Além disso, um procedimento administrativo foi formalmente aberto para apurar “os fatos, as condutas adequadas, a aderência aos protocolos técnicos do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde de Goiás (SES-GO), bem como eventuais responsabilidades funcionais e éticas”.
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Ainda, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego), o Ministério Público de Goiás (MPGO) e a Vigilância Sanitária Estadual foram oficiadas sobre o ocorrido.
Disponibilidade do soro
No nota, assinado pela Secretaria Municipal de Saúde, a Prefeitura declara que os trabalhadores são os únicos responsáveis pela fatalidade, afastando a pasta das decisões tomadas durante as consultas.
A Administração Municipal cita o Código de Ética Médica, a Lei do Ato Médico (n° 12.842/2013), a Lei Orgânica do SUS (n° 8.080/1990) e o Manual de Diagnóstico e Tratamento de Acidentes por Animais Peçonhentos do Ministério da Saúde.
O argumento foi de que “toda e qualquer conduta médica […] é de inteira, exclusiva e indelegável responsabilidade dos profissionais médicos que efetivamente realizaram o atendimento”.
A Secretaria escreveu que “à gestão pública compete prover a estrutura, os insumos, os medicamentos e as condições materiais para o atendimento”, enquanto os trabalhadores têm autonomia pessoal para decidir sobre a conduta clínica de cada caso.
Ainda afirmou que, com base nos registros de estoque, relatórios da farmácia hospitalar e conferências anteriores, “havia e há plena disponibilidade, no Hospital Municipal Tuany Garcia, de todos os medicamentos e imunobiológicos necessários ao tratamento de acidentes ofídicos” (relacionados a cobras e serpentes), conforme protocolos do Ministério da Saúde.
Por isso, a escolha por não aplicar o soro seria de inteira decisão do profissional assistente, e não por falha no suprimento.
Em tempo
José Carlos Bernardes de Campos morreu na madrugada da última sexta-feira (22), após sofrer uma parada cardiorrespiratória em decorrência de uma picada de cascavel.
Primeiro, ele deu entrada no hospital municipal por volta das 15h30 de quinta-feira (21). Inicialmente, não apresentava sinais clínicos considerados graves, motivo pelo qual não teria passado por soroterapia específica.
Ele ficou em observação, mas recebeu alta. Pouco tempo depois, voltou à unidade dizendo que sentia aumento da língua e desconforto na região do pescoço, sintomas que indicavam reação alérgica ao veneno de cascavel.
José Carlos recebeu medicação e chegou a apresentar melhora, novamente ficando sob observação. A recomendação era passar por exames laboratoriais e reavaliar a necessidade de soroterapia.
Contudo, o caso se agravou aproximadamente às 05h45, quando ele sofreu uma parada respiratória. A equipe tentou manobras de reanimação, mas sem sucesso. O caso foi registrado como morte acidental.
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